sábado, 31 de outubro de 2015

Entrevista

A convidada desta semana é
Mary Jun



Maria José da Silva Lajunza (Mary Jun - pseudônimo) é técnica em contabilidade com especialização em programação financeira, escritora e poetisa. Nasceu na cidade de Barreiros - PE em 1964 onde passou a infância e parte da adolescência. Realizou seus estudos e constituiu família na capital pernambucana. Atualmente mora em Guarulhos - SP, casada com o também poeta Roberto Jun, é mãe de 02 filhos e avó de 03 netos. É evangélica praticante e sua obra literária possui um estilo contemplativo e psicológico, sendo poetisa atuante em projetos e antologias. É membro da Confederação Brasileira de Letras e Artes e da Casa del Poetas Peruanos no Brasil.

Livros publicados:

Amor - Antologia Poética (formato digital e impresso)

Cartilha Poe/Art - Antologia Infantil (formato digital)

Autores do Brasil - Antologia (no prelo)


Sites:

http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=109686

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=298808


 *       *       *

EspiritualMente - Como é a sua relação com a Religião e a Espiritualidade?

Mary Jun - Eu não gosto de atrelar a minha vida espiritual e/ou cristã a Religião. Por ser a religião só um caminho, uma escolha para vivenciarmos uma comunhão com Cristo. Eu busco tão somente viver a palavra de Deus no amor de Cristo Jesus.  Esse que é o verdadeiro sentindo do cristianismo!


Espiritualmente - É difícil levar uma vida mais voltada a religiosidade nos dias atuais? Quais os maiores desafios?

Mary Jun - Eu particularmente não tenho dificuldade porque não vivo uma vida voltada a religiosidade. A religiosidade nos leva a caminhos distorcidos, bem como: fanatismo, idolatria, exageros etc. Esses são os desafios que mais encontro. Eu vivo uma vida de servo e não julgo o religioso, por serem na sua maioria fruto de doutrinas de homens.


EspiritualMente - De onde surgiu o talento para a escrita? Quais foram suas influências?

Mary Jun - Desde os meus quinze anos surgiu-me o interesse pela escrita e paixões por poemas. Eu tinha um caderninho cheio de versos (todos de amor), mas me pediram emprestado e nunca devolveram. Sempre escrevia as cartas de amor para as minhas amigas, e acontecia que os rapazes se apaixonavam pela dona da escrita da carta. Risos! Imagine a confusão. Na verdade, tomei gosto no trabalho onde adquiri fãs que me levaram a desenvolver o meu talento. Foi aí que tudo começou, mesmo assim. Eu não me sentia segura, só passei a me valorizar quando participei de um concurso a nível nacional e fui escolhida entre os 10 (dez) melhores textos. Foi emocionante porque a editora não me conhecia, até então meu pseudomimo era Maria Silva – agora Mary Jun.


EspiritualMente - Uma das temáticas mais presentes em seu trabalho literário é o amor. Aliás, muita gente confunde amor com paixão. Como você definiria e diferenciaria estes sentimentos?


Mary Jun - O amor é a base de tudo. Inclusive eu escrevi uma crônica que aborda o tema Paixão &Amor. Eu defino a paixão como um estado de euforia e desalinho aonde a dúvida impera gerando amargor e dor... Um sentimento mesquinho e perigoso. Já o amor é um sentimento nobre - divino, puro, apaziguador, brando, solidário e companheiro. Quem vive o verdadeiro amor vive uma vida tranquila conhece o bem e a paz. Lembra-se de Jesus na Cruz do calvário?  “Representava a dor (a paixão)”. Mas, se olharmos para o sacrifício vivo da cruz, quando Ele passou todo sofrimento calado como um cordeiro indo ao matadouro, mas não desistiu de mim e nem de ti, eis aí o amor! 



EspiritualMente - Outro tema bastante defendido e valorizado em seus textos é a família. Nos dias atuais, observamos mudanças no ambiente familiar, no que se refere a identidade, formação, papéis e costumes. Como você vê essas transformações na família brasileira? 

Mary Jun - Olhando para o passado – chega a ser escandalizador a mudança no meio familiar. O que é uma pena! Difícil consertar, partindo de um princípio de liberdade. Não pode isso... não pode aquilo... os pais não tem mais autonomia sobre os filhos na sua maioria. Claro, toda regra há exceção.  Permitido a desobediência e desrespeito dos próprios filhos para com os pais. Um fator relevante é a convivência com “amizades” que levam as drogas e os vícios e acabam por perderem a dignidade, fugindo totalmente do controle familiar, que é dotado de valores, amor, respeito e comunhão! Vale salientar que tem pais que não merecia ter filhos e os mesmos levam um filho ao mal caminho.



EspiritualMente - Muitas pessoas visitam o nosso projeto em busca de um esclarecimento ou de um consolo espiritual. Que frase, poema ou pensamento de sua autoria você ofertaria a essas pessoas?


Mary Jun -

O AMOR (pensamento)



 O amor é como uma brasa consumidora
E quando  se pensa que está apagado
Ele renasce das cinzas,
Basta um sopro suave
E toda magia se revela.



EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo?

Mary Jun - Não sou pessimista, mas vejo aí algo sem solução. Claro que para Deus tudo é possível. Mas por se tratar do livre arbítrio, o Brasil e o mundo estão passando por um caos total. Imagino ser por falta de conhecimento dos eleitores, a desinformação da política pública e social. Não há interesse da grande massa em saber o seu dever e direito. E acabam por perecerem levando junto os que fazem certo. O Brasil está sem rumo e assim continuará enquanto o brasileiro não aprender a votar!   


EspiritualMente - Qual sua filosofia de vida?


Mary Jun - A minha filosofia de vida... é hoje, exatamente agora! O passado não me cabe mais... o futuro não me pertence... vivo cada segundo como se fosse o último. Grata a Deus pelo presente vivido.


EspiritualMente - Quais os seus projetos na área profissional e literária?

Mary Jun - Na minha área profissional (Técnico em contabilidade especializada em programação financeira), confesso que cansei muita trabalheira e requer muito do emocional. Estou galgando novos horizontes – gosto de trabalhar com o social voltado para o publico. Trabalhei muito tempo nessa área e pretendo retomar se assim Deus permitir. Quanto à literária, eu não tenho ambição, ou seja, eu escrevo no intuito de alcançar as vidas. Quando na leitura possam se encontrar, se libertar de uma aflição, desilusão etc. Tenho caso de pessoas que entraram em contato comigo dizendo que ao ler um texto meu salvou sua vida. Muito me impressionou! Por outro lado fiquei feliz que através de um texto uma vida foi liberta e isso é tudo para mim. Não vou dizer que não quero publicar um livro, claro se surgir à oportunidade.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os seguidores, colaboradores e visitantes do nosso projeto?

Mary Jun -

SEMEADURA

Caminhe mesmo que a estrada esteja deserta e você não consiga enxergar o fim. Mesmo que tudo lhe pareça contrário; pois nesta caminhada encontrarás trilhas perigosas, mas que saberás se desviar. Há sempre um caminho para trilharmos e conquistarmos! Nunca perca a esperança porque quando assim agimos perdemos um pouco da fé, uma vez que a fé nos foi dada por Deus. Procure nas coisas simples, adquira conhecimento, planeje tudo com eficiência, claro dentro da limitação humana. Plante sementes boas, cultive e regue. Use o fertilizante da sabedoria, compreenda cada fruto, pois existem as sementes fracas, outras com defeito, outras pequeninas e outras frondosas. Sabemos que nessa semeadura haverá choro, sim. Choro mas que será regado com o fertilizante da fé, por ter sido preparado um solo fértil frutificando! Decerto que nesse campo brotará o melhor da vinha; composta de alegria, harmonia, paciência, companheirismo, amizade de irmãos, solidariedade e amor! Isso sim, isso é colher o melhor da vinha...!
 


*       *       *

O EspiritualMente agradece a querida amiga e irmã Mary Jun por conceder esta bela e emocionante entrevista!

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Entrevista

O convidado desta semana é

Carlos Pereira

Pernambucano, Mestre em Gestão de Políticas Públicas, ex-presidente da Associação dos Divulgadores do Espiritismo em Pernambuco. É expositor, autor e médium psicógrafo de diversos livros espíritas. Também é coordenador geral do Grupo Espírita Esperança, localizado no município de Camaragibe – PE.


Principais livros publicados:





*       *       *

EspiritualMente - Como surgiu em sua vida o Espiritismo e a mediunidade?

Carlos - Nasci numa família espírita e minha identificação foi imediata. Já aos cinco anos de idade fazia preces no Centro Espírita Trabalhadores da Última Hora, em Caixa D' Água, Olinda. A mediunidade, porém, somente veio aparecer quando completei 30 anos.


EspiritualMente - Você já foi presidente da Associação dos Divulgadores do Espiritismo de Pernambuco (ADE-PE). Como você avalia o trabalho de divulgação da Doutrina realizada pelo movimento espírita nos dias atuais?

Carlos - Avançou muito, mas poderia ser melhor. Ainda ocupamos timidamente a mídia. Ainda nos comunicamos externamente como fosse um prolongamento da casa espírita. Em relação aos jovens mostramos certo despreparo para renovar nossa linguagem com eles. Temos uma doutrina excepcional, mas somos tímidos em lançá-la para o mundo.


EspiritualMente - Você é autor do livro "Realidade Paralela - Uma leitura espiritual dos fatos". Este mesmo tema tornou-se um programa espírita semanal de uma Rádio em Pernambuco. Como surgiu essa ideia? É necessário retirar a Doutrina das instituições espíritas e leva-la a realidade do cotidiano?

Carlos - Exatamente! Esta era a proposta de Allan Kardec. Contextualizar o pensamento espírita, mostrar o lado espiritual da vida. Possuímos um conteúdo formidável para ajudar a transformar a sociedade, pois consegue mostrar a lógica subterrânea da realidade.


EspiritualMente - Sem dúvida, o gênero literário espírita é um dos maiores do mercado editorial brasileiro. Qual sua opinião a respeito da atual literatura espírita? Existe mais quantidade ou qualidade?

Carlos - Há literatura para todos os gostos e níveis de maturidade em relação ao pensamento espírita, isto tem um lado positivo para o iniciante, o curioso, o simpatizante. Agora, quando se chega à casa espírita então devemos didaticamente municiar as pessoas dos fundamentos espíritas, o que poucas casas se preocupam. Há, entretanto, muita informação espírita fora daquilo que se conhece como literatura espírita oficial. Os espíritos não esperam apenas pelo Espiritismo para promover a espiritualização do planeta. Ainda bem, pois iria demorar demais.


EspiritualMente - Você já publicou vários livros psicografados por Dom Hélder Câmara e, recentemente, "Cartas de um Imortal" por Joaquim Nabuco, duas personalidades bastante estudadas no meio religioso e acadêmico, respectivamente. Algum estudioso já questionou essas obras? Como você lida com as críticas?

Carlos -  Até hoje não recebi qualquer crítica em relação aos livros, nem de espíritas, nem de outros segmentos. Sei que elas existem, mas são silenciosas, então não posso levá-las em consideração. Os livros de Dom Hélder Câmara e o de Joaquim Nabuco não têm como foco os espíritas, pelo contrário, são direcionados para o público em geral. Gostaria de receber críticas construtivas, mas fundamentadas. Dizer que não acredita, desmerecer sem estudá-las não vale. Qualquer livro deve receber críticas, o de origem mediúnica não pode ser diferente.


EspiritualMente - A grande maioria das pessoas que já participou das suas palestras, exposições e seminários, consideram as mesmas extremamente agradáveis, descontraídas e esclarecedoras. Podemos dizer que esses são os atributos fundamentais para uma boa apresentação espírita?

Carlos - O aprendizado, seja ele qual for, deve ocorrer em clima de descontração. Está provado pelos especialistas da neuropsicologia e da andragogia que os conteúdos devem ser trabalhados de maneira participativa, contextualizada, leve. É necessário ativar todos os sentidos de aprendizagem e usar os recursos didáticos apropriados. Quanto ao conteúdo, gosto do raciocínio de Platão que disse certa vez que devemos, num processo de aprendizado, sair maiores do que entramos. Temos que provocar a reflexão pelo pensamento e pelo sentimento no ambiente espírita.


EspiritualMente - A Doutrina Espírita está cumprindo os seus objetivos na sociedade brasileira ou ainda falta alguma coisa? Como você vê o futuro do Espiritismo?

Carlos - Já respondi que poderíamos fazer mais, bem mais. Precisamos ousar, inovar, agregar valor. Os ícones da divulgação espírita fazem a sua parte, porém num mundo da tecnologia da informação, da sociedade do conhecimento, de processamento digital, devemos arejar o pensamento espírita. Algo, no entanto, deve ser perseguido sempre: sermos cartas vivas do Evangelho. A coerência é a melhor forma de divulgação que existe na sociedade, em qualquer época. Por esta razão é que o Cristo vive até hoje.


EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo?

Carlos - Em O Livro dos Espíritos, os espíritos responderam a Kardec que, às vezes, é necessário se  chegar ao caos para se dar um basta e começar um processo de renovação geral. Acho que está acontecendo isso com o nosso País, mas a mudança não ocorrerá sem dores. Tem que gerar aprendizado, não vai cair do céu. Temos, entretanto, um conjunto de espíritos com o DNA do mundo de regeneração. Estamos no ápice da transição. Tenhamos paciência e façamos a nossa parte para um Brasil melhor e um mundo renovado.


EspiritualMente - O que você tem mais aprendido no decorrer de todos esses anos de trabalho ativo no movimento espírita? Quais são os maiores desafios?

Carlos - O centro de todas as nossas movimentações deve ser a aprendizagem do amor, a vivência do amor. Isto é que quer dizer, na essência, o cristianismo redivivo. O termômetro de progresso de qualquer casa espírita e de nosso movimento deve ser a nossa capacidade de amar. Não foi Jesus que disse que seus reais seguidores seriam identificados por amarem em demasia?


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

Carlos - Lembrar a mesma recomendação do Espírito Verdade: "Espíritas, amai-vos e instruí-vos". Simultaneamente, aprender a amar e buscar a sabedoria uns com os outros. Esta é a grande síntese de espiritualização do ser humano.

*       *       *

O projeto EspiritualMente agradece a Carlos Pereira pela colaboração e gentileza em conceder esta bela entrevista!


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Entrevista

O convidado desta semana é

André Marouço


Diretor, produtor e roteirista. Trabalhou na TV Cultura de São Paulo, Rede Globo, SBT e TV Mundo Maior. Estreou em longas em 2011 com "O filme dos espíritos". Em 2014, dirigiu "Causa e Efeito".




*       *       *


EspiritualMente - Como você conheceu o Espiritismo?

André - Eu nasci em uma família católica, cursei o ensino fundamental em um Colégio de Freiras, conhecemos a Umbanda quando eu tinha 8 anos, um primo foi curado em um terreiro, foi ali que eu desenvolvi a mediunidade, aos 15 anos me afastei de toda e qualquer religião. Quando estava com 19 anos, eu e minha noiva, hoje esposa, sofremos um acidente automobilístico e ela se machucou bastante, por essa ocasião eu trabalhava na TV Cultura, com um rapaz, Alberto Duró Freitas, ele era espírita e sua palavra de consolo apoiada na Doutrina dos Espíritos me fazia bem. Ocorreu também que, na casa de minha mãe, na sala, havia na estante um livro “Os Mensageiros” de André Luiz/Chico Xavier, este livro há anos me chamava atenção, porém nunca havia tido a coragem de abri-lo. Após conhecer o Alberto, abri o livro e encantei-me com o que havia ali, tudo fazia bastante sentido, assim, procurei um centro espírita onde havia recebido passes alguns anos atrás em companhia de uma tia, o Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, e desde então tornei-me estudioso da doutrina.


EspiritualMente - Como ficou sua relação com esta Doutrina após dirigir filmes de temática espírita?

André - Eu sou profissional de audiovisual de berço, meu pai fora Operador de Câmera e foi por intermédio dele que eu entrei para esse mundo, eu ainda trabalhava na TV Cultura, por onde estive durante 15 anos, quando eu lia as obras espíritas e nascia-me no íntimo um desejo enorme de transformá-los em peças cinematográficas. Escrevi alguns roteiros até estar pronto para filmar “O Filme dos Espíritos”, depois veio “Causa e Efeito” e nesse momento estamos terminando o documentário “Nos Passos do Mestre”, e de verdade eu não consigo me ver filmando outra temática que não a espírita, a única coisa que me seduz de verdade em um set cinematográfico é reunir o audiovisual com a mensagem mais bela e racional apresentada pelo espiritismo.


EspiritualMente - Como você vê na atualidade o trabalho de divulgação do Espiritismo através do cinema e da TV? Que aspectos precisam ser melhorados?

André - Vejo que caminhamos muito, mas ainda estamos distantes de alcançar o profissionalismo e a capacidade industrial que a doutrina precisa para alcançar através do audiovisual o maior número de mentes da Terra. Os espíritas, na minha opinião, não conseguiram até agora entender a importância da união de esforços e de recursos para dar dinamismo e auto-sustentabilidade aos projetos audiovisuais maduros, a FEAL (Fundação Espírita André Luiz) e a FEB (Federação Espírita Brasileira) esforçam-se para manter uma produção e distribuição profissional de espiritismo audiovisual, também vemos alguns entidades esforçando-se para tal, mas em verdade, como geralmente, cada Casa Espírita está preocupada com suas próprias ações não há uma convergência em prol de um projeto centralizador. Em linhas gerais acredito que os espíritas ainda não acordaram para a importância de um centro forte de produção e divulgação espírita através do audiovisual. Temos centenas de editoras lançando obras rasas de conteúdo literário e espiritual, e damos um espetáculo de assistência e promoção social, mas ainda não acordamos para a importância de levar a doutrina através da ferramenta mais poderosa de divulgação, que na minha opinião é o audiovisual.


EspiritualMente - Você já dirigiu vários artistas consagrados nacionalmente. Como fica a motivação, o estado emocional desses atores e atrizes em atuar em um filme espírita?

André - Geralmente são profissionais, ou seja, pouco lhes importa se estão fazendo um filme espírita ou um longa de ação, mas em linhas gerais, percebemos que todos acabam sensibilizados de alguma forma pela mensagem da obra e também pelo respeito de todos uns para com os outros durante as filmagens. Eu penso que em primeiro lugar eles achem estranho iniciarmos cada dia de filmagem com uma prece, mas nos dias subsequentes vão percebendo que uma ação tão singela como essa acaba redundando em dias de filmagens mais amenos e mais fraternos.


EspiritualMente - Como você recebe os comentários, elogios e críticas referentes aos seus filmes?

André - No início sofria muito, a crítica especializada sempre pegou pesado com as obras espíritas, acredito eu que por dois motivos: Em primeiro lugar porque nossos filmes realmente por terem sido produzidos com baixíssimos orçamentos acabaram por apresentar em alguns aspectos uma certa limitação técnica e artística; e em segundo lugar, mas na minha opinião ainda mais importante, muitos críticos torceram o nariz com o intuito religioso na sétima arte, mas de verdade, hoje, quando lanço um filme o que menos me importa são as críticas, ou os elogios, penso assim: Se ninguém criticar é porque não incomodou ninguém, e uma peça espírita tem que incomodar, tem que mexer com as pessoas, tem que fazê-las repensar a vida. Por outro lado, quanto aos elogios, quase sempre os aceito como uma gentileza, pois em verdade sabemos que como disse o filósofo “Quanto mais vejo que sei tudo que sei é que nada sei”, ou seja, sempre haverá cineastas mais geniais que eu...


EspiritualMente - Que análise você faz sobre o público dos filmes espíritas? Os seus dois últimos filmes, por exemplo, corresponderam as suas expectativas?

André - "O Filme dos Espíritos" superou todas as nossas expectativas de público, já "Causa e Efeito", por ter sido lançado durante a Copa do Mundo de Futebol, acabou ficando um pouco aquém das nossas expectativas, ainda assim, fez cerca de 100 mil de público o que muito filme nacional não chega perto e está seguindo sua carreira sendo exibido atualmente da Rede Telecine.


EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo?

André - Eu acho que o nosso país está em um rumo tão errado, mas tão errado, que estamos no rumo certo. Pode parecer uma loucura mas como geralmente aprendemos mais com a dor do que com o amor, acredito que estamos colhendo os frutos de nosso egoísmo, de nossa corrupção, de nosso materialismo, acredito que essa crise de valores e econômica que nos visita, certamente deve nos ensinar muito e no tempo certo, após algum choro e ranger de dentes estaremos mais prontos para acertar mais e pensar no coletivo.


EspiritualMente - Após o “Filme dos Espíritos” e “Causa e Efeito”, quais são seus próximos projetos cinematográficos?

André - Estamos finalizando o documentário “Nos Passos do Mestre” filmado no Egito, Israel, Turquia e Itália, trata-se do primeiro documentário audiovisual que apresenta Jesus através da análise racional da doutrina dos espíritos. Nossa expectativa é lançá-lo ainda esse ano.


EspiritualMente - Qual sua filosofia de vida?

André - Estabelecer um projeto de aprimoramento íntimo contínuo, auxiliar meus filhos e família a crescerem espiritualmente e materialmente e produzir cada vez mais e melhor, especialmente mensagens que auxiliem ao crescimento da sociedade tal qual nos ensina o maior Mestre de Todos os Tempos, Jesus Cristo.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os amigos, colaboradores e seguidores do nosso projeto?

André - Obrigado pela oportunidade de expor minhas ideias e projetos, e continuem trabalhando para fazer brilhar a vossa Luz e a Luz do mundo, afinal, somos seres muito especiais, temos um irmão chamado Jesus, e somos filhos do Pai, ou seja, estamos todos com tudo e não é prosa.


*       *       *


O projeto EspiritualMente agradece a André Marouço pela gentileza e simpatia em conceder esta bela entrevista!


terça-feira, 14 de julho de 2015

Entrevista

A convidada desta semana é

Maria Cleide Pereira


Maria Cleide da Silva Cardoso Pereira, nasceu em 17 de fevereiro de 1980, em Belém do Pará. Neta de poeta e filha de poetisa, a escritora iniciou sua produção literária aos 11 anos, dedicando seus primeiros versos à sua mãe. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Pará e cursou MBA em Gestão de Pessoas pela Faculdade Ideal e Estratego.

Em 1999, fez parte do grupo teatral Cacilda Becker, no qual atuou como atriz, produtora musical e autora de textos. Em 2000, iniciou o curso de letras, mesmo ano em que conheceu seu futuro marido, João, seu melhor amigo e colega de curso. Entre 2005 e 2006, fez parte do Programa Multicampiartes, da UFPA, ministrando oficinas de Literatura em vários municípios paraenses. Nesse mesmo ano, dedicou-se aos estudos do seu MBA. Em 2007, tornou-se instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC) em Belém. Ainda em 2007, começou a trabalhar no projeto"Educando para a Liberdade", atuando nas unidades penais do estado do Pará. Em 2010, em fevereiro, casou-se com João e, em novembro, nasceu seu primogênito, Elias, a grande inspiração de sua vida.  Em 2012, já em Castanhal, passou a trabalhar na rede municipal de ensino, além de integrar a equipe docente do SENAC-Castanhal. Atualmente, trabalha no SENAC e na Escola Municipal São João Bosco e cursa Especialização em Educação Profissional.

Perfil literário com suas obras completas:
Jardim de Pensamentos: cultivando sementes da alma
Versos que edificam a alma: a fé em poesia MCSCP
O universos simbólico da obra "O Saci":um estudo junguiao sobre a obra infantil de Monteiro Lobato
Seu recém lançado e-livro de poesias de amor:
http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5306993


*       *       *


EspiritualMente - Como é a sua relação com a religião e a espiritualidade?

Maria CleideBem, religiosidade é diferente de espiritualidade, em meu pensamento. Religião é uma instituição fundada por pessoas e segue determinadas tradições, com seus dogmas e doutrinas. Prefiro o sentido mais puro da palavra, pois religião significa religar. Nesse sentido, de religação, há uma relação profunda com a palavra espiritualidade. A espiritualidade vai além de qualquer religião, eu a sinto como uma unidade entre tudo e todos, a unidade que emana de Deus, a unidade do Espírito Santo.


EspiritualMente - Como surgiu em sua vida o talento para a escrita? Que tipo de gênero você sente mais inspiração para escrever?

Maria CleideSurgiu bem cedo, desde pequenina. Meu avô materno, Josué, era poeta e costumava escrever e recitar poesias. Minha mãe, Águeda, lia poesias para mim e também escrevia sonetos. Eu acabei me apaixonando pelos versos. Na minha antiga Sala de Leitura, da Escola Estadual João Renato Franco, eu ficava a ler, várias vezes, A Arca de Noé, de Vinícius de Moraes. Eu amava a Sala de Leitura e isso me ajudou muito a desenvolver a escrita. Aos 11 anos, comecei a escrever os primeiros versos, todos dedicados à minha querida mãe. Eu gosto muito do gênero lírico e, em breve, lançarei um livro virtual com poesias lírico-amorosas.


EspiritualMente - Uma das temáticas presentes em seu trabalho literário são as questões sociais, a consciência política e cidadã. Como você vê este atual cenário político e social que o nosso país está enfrentando?

Maria CleideBem, as questões sociais sempre foram muito marcantes em minha vida, desde as escolas públicas onde estudei, os projetos sociais de que fiz parte até as instituições nas quais trabalho. Eu sempre desejei que todas as pessoas tivessem as mesmas oportunidades e que pudessem usufruir dos mesmos bens culturais, de forma que cada cidadão e cidadã viesse a se tornar o que tem vocação para ser. Eu entendo a educação como um ato político, mas não um ato político partidário. Já militei em partidos de esquerda, no passado. Mas o discurso da luta de classes, da relação opressor versus oprimido não era suficiente para todos os meus questionamentos. Fiquei decepcionada ao perceber que, na verdade, o que prejudica as pessoas é a luta pelo poder. É essa luta desenfreada pelo poder que fomenta a desunião, a desigualdade, a discriminação e o preconceito. Hoje, sou apartidária. Só tomo partido em uma coisa: a favor do meu povo, seja da minha cidade, do meu Estado, do meu país. O povo, muitas vezes, é esquecido e desrespeitado. O imposto que se paga para obter melhoria para todos acaba nos bolsos, meias e até cuecas de quem foi eleito(a) para defender o interesse do povo. A corrupção precisa ter fim. O famoso ditado "a ocasião faz o ladrão" precisa ser banido do nosso inconsciente. Para o senso comum, todos que estão no poder sempre vão roubar, não adianta. Isso precisa acabar! Outro detalhe: quem governa, governa para todos, não para um segmento. Assim como todos pagam impostos, todos merecem consideração e dignidade. O Brasil enfrenta, nesse momento, uma crise. Nos momentos de crise, a única saída é a cooperação, a colaboração. Mas o povo está dividido porque está insatisfeito com tantas mentiras. No entanto, quando se perceber que o que está em jogo é o futuro de um país (e não o de um partido político), cada brasileiro e cada brasileira, de forma consciente, ajudará a sua pátria a crescer e a se fortalecer. Conflitos violentos e manifestações de ódio não levam a lugar algum. Mas uma mobilização social que pede o fim da corrupção no mais amplo sentido, que propõe mudanças necessárias à legislação e que busca respeitar a diversidade compreendendo cada realidade é muito viável.


EspiritualMente - Por muito tempo, você foi professora de um projeto no sistema penitenciário. Que lição você adquiriu com essa experiência com os presidiários?

Maria CleideFoi uma experiência muito rica. Isso me fortaleceu imensamente e rendeu muitas lágrimas também. Vi muitas coisas, ouvi muitas coisas, aprendi muito convivendo com pessoas encarceradas. Eu trabalhei tanto com homens, quanto com mulheres. Também tive contato com a família dessas pessoas, uma vez que também atuei nas brinquedotecas, lugar onde os(as) internos(as) recebiam a visita de seus familiares. Era emocionante ver o reencontro entre mães, pais, irmãos, filhos(as). Eu desenvolvi, para esse momento, atividades voltadas às crianças. Assim, nasceu a contação de histórias por meio de fantoches. Criei a personagem Beijoca, que animava as visitas infantis. Sabe, aprendi que a liberdade tem grande valor; que o tempo que temos é valioso e não pode ser desperdiçado; que cada pessoa precisa de estímulo e de incentivo para fazer as escolhas adequadas; que a família é a base de tudo, que ela representa nossa fortaleza nos momentos de aflição e que Deus é a força maior, a luz que dispersa as trevas, o perdão que emana do arrependimento, a graça que se alcança por meio da fé, a liberdade verdadeira. Sempre que surge oportunidade, eu realizo trabalhos nas unidades penais. Acredito que a educação pode transformar para melhor a vida de todas as pessoas. A educação é a melhor forma de combater a violência e de conquistar novas oportunidades de ser feliz.


EspiritualMente - Você também teve experiência profissional com crianças. Prefere mais trabalhar com o público adulto ou com o infantil? Por quê?

Maria CleideGosto de trabalhar com todos os públicos, pois cada um me ensina algo necessário para o meu aperfeiçoamento humano. O público infantil requer paciência, cuidado e atenção. Aprendo a ver as coisas de forma diferente (preciso me reinventar algumas vezes!), sinto-me mais leve, gosto de experimentar coisas novas, de contar histórias e de ensinar antigas brincadeiras. É bem divertido, apesar de um tanto trabalhoso. As crianças têm muita energia e é preciso coordenar bem as atividades. Os adultos são mais reservados, ensinam-me a observar e a ser assertiva, a desenvolver diferentes formas de aprender e de compartilhar conhecimentos, a saber ouvir nas entrelinhas, a acolher cada feedback de forma positiva e construtiva, a compreender as diferenças e semelhanças entre as pessoas. É desafiador trabalhar com adultos, é uma experiência muito rica.


EspiritualMente - Como gestora de pessoas, como você analisa as relações humanas nos dias de hoje? A ampliação de redes sociais como por exemplo o Facebook, o Whatsapp, melhora o relacionamento entre as pessoas?

Maria CleideBem, as pessoas buscam se relacionar de várias formas e as redes sociais constituem uma dessas formas. Antigamente, as pessoas se correspondiam por cartas, mas era um pouco demorado. Essa forma de interação sempre existiu, mas a tecnologia a aperfeiçoou. No entanto, observo que as redes sociais oferecem inúmeras possibilidades de veicular informações que estão ligadas a valores e a sentimentos. A superexposição em tais redes afeta as pessoas justamente por isso: o fato de alguém excluir uma amizade, de tornar público um segredo, de expor os pensamentos e valores de alguém etc., faz com que certos sentimentos seja fomentados: a raiva, a vergonha, o ressentimento, a inveja etc. Pode-se dizer que o facebook ou o Whatsapp são uma espécie de espelho mental. É por essa razão que, hoje, muitas empresas, durante seus processos seletivos, costumam acessar os perfis dos(as) candidatos(as) a uma vaga. Cada perfil, de certa forma, revela aptidões, gostos, crenças, pensamentos e informações importantes de cada usuário(a). Mas apesar de certas vantagens que essas formas de comunicação trazem, há um grande perigo por trás dessas novas relações virtuais: há muitos perfis falsos, que são utilizados para fins ilícitos. São muitas as denúncias de tráfico de drogas, tráfico de pessoas, exploração sexual entre outras coisas que envolvem as redes sociais. Além disso, ainda há os casos nos quais os perfis falsos alimentam relações de adultério, pois são frequentes os divórcios por conta de descobertas feitas a partir do Whatsapp e Facebook. Entretanto, como estamos na Era da Comunicação, as redes sociais tendem a crescer e a se multiplicar. No entanto, o verdadeiro relacionamento humano requer o calor do toque, o reflexo do brilho de um olhar, a melodia de uma voz querida, o conforto do abraço amistoso, a quentura e sabor da lágrima que rola, o sorriso que não se pode traduzir com palavras. Isso, nenhuma rede social consegue transmitir. Esse, sim, é o verdadeiro relacionamento humano.


EspiritualMente - Você já teve variadas experiências na área artística: compositora, atriz, produtora musical, teatro de bonecos, poetisa, escritora etc. O que ainda falta você fazer? Tem algum projeto para o futuro?

Maria CleideTenho vontade de trabalhar como Gestora Cultural e ajudar alguns grupos artísticos a conseguirem aprovar seus projetos nos editais de incentivo à cultura. Para isso, há cerca de dois anos, tenho me preparado por meio de cursos e capacitações na área. Eu sei como é difícil viver da arte, por isso quero, por meio de meu trabalho, ajudar os(as) artistas a receberem o merecido reconhecimento. 


EspiritualMente - Como você vê atualmente a utilização da arte como instrumento de transformação para um mundo melhor?

Maria CleideA arte é transformadora, revolucionária. Ela desenvolve o talento humano e deixa, para a eternidade, um registro da alma de cada artista. Ela tem o poder de transformar o mundo, de torná-lo melhor, de fazer com que as pessoas passem a se relacionar de um modo diferente consigo mesmas, com a natureza e com o universo. Lembrei-me, agora, do livro "O Menino do Dedo Verde", de Maurice Druon. Nele, pude vislumbrar um lindo modelo de educação, que ensina a superar inúmeros conflitos. O protagonista, Tistu, acaba com uma guerra de muitos anos. É uma linda refência à condição humana em tempos de tantas guerras e conflitos pelo mundo. A arte vai além e cria o paraíso que tanto desejamos. 


EspiritualMente - Qual sua filosofia de vida?

Maria Cleide Faço da fé, do amor e esperança a minha filosofia de vida. A fé me faz alcançar o que desejo, orienta minhas energias para um único alvo e me faz resistir às dificuldades. O amor nutre a minha alma e me faz lutar pelo que vale à pena. Ele me alimenta de empatia e compaixão, para que eu possa compreender as outras pessoas e ajudá-las. A esperança me traz alento contra a ansiedade, move-me a realizar coisas enquanto aguardo o resultado de outras, faz-me ter a certeza de que tudo vai dar certo no final. Creio que todas as pessoas estão interligadas e procuro fazer o bem, pois quem prejudica o outro, acaba prejudicando a si mesmo. 


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

Maria CleideQue lutem pelo que acreditam, que não deixem seus sonhos pela metade. Fazemos de nossa vida o que fazemos do nosso tempo. O tempo não nos espera e a vida precisa de sentido, por isso, a cada dia, devemos semear e cultivar boas sementes. Precisamos fazer tudo o que está ao nosso alcance para sermos pessoas melhores e para auxiliar nossos(as) companheiros(as) de jornada. Nossas atitudes podem ser decisivas não apenas para nós, mas também, para os que virão depois de nós. Assim, que tenhamos consciência de nossas escolhas, sabendo os resultados que elas trarão. Que o amor nos faça compreender a maravilhosa unidade inerente a cada ser. Abraços carinhosos e muito obrigada pela oportunidade!


*       *       *


O projeto EspiritualMente agradece a Maria Cleide Pereira pela gentileza e simpatia em conceder esta tão bela e emocionante entrevista!