sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entrevista

A nossa convidada desta semana é

Vania Mugnato de Vasconcelos


Curitibana residente no Estado de São Paulo há quase 17 anos, casada com Ricardo Henrique, Engenheiro Químico, e mãe de Thiago Henrique, adolescente de 13 anos.

Assistente Social, pós-graduada em Recursos Humanos, tendo concluído em 2014 a faculdade de Direito, Bacharel em preparação para o próximo exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Há quase dois anos Estagiária da área da Família na Defensoria Pública do Estado de São Paulo, na Comarca de Jundiaí, cidade onde reside.

Espírita há 35 anos, Discípula de Jesus pela Aliança Espírita Evangélica do ABC Paulista, há 11 anos faz palestras espíritas, escritora de artigos em suas páginas pessoais e blogs na internet. No Facebook, além de escrever textos em seu perfil pessoal, é responsável por responder mensagens privadas dos irmãos que pedem esclarecimentos espíritas, em um grande grupo de divulgação, o Instituto Chico Xavier.

 
Perfil no Facebook
https://www.facebook.com/vaniamv19

Blog Espiritismo SEM Melindres (textos)
http://espiritismosemmelindres.blogspot.com

Blog Palestras Espíritas (áudios)
http://palestrasespiritaspps.blogspot.com

Blog Rabiscos de Vitória Luz (poesias)
http://rabiscosdevitorialuz.blogspot.com


https://www.youtube.com/user/vanialoira19


*     *     *

EspiritualMente - Como você conheceu o Espiritismo? Qual a importância desta Doutrina em sua vida atualmente? 

VaniaCriada católica, bem próxima a freiras, padres e seminaristas que residiam no bairro de minha infância, desde muito nova a questão da fé e do serviço a Deus foram temas fascinantes aos meus olhos. Aos 7 anos acreditava que seria feliz se fosse freira! Contudo, a vida me levou a outro rumo. Ainda criança meus pais foram visitar um casal de espíritas e, apreciando muito a leitura, ao invés de brincar, fui ver a estante cheia de livros que possuíam os anfitriões. Um livro em especial me encantou. Chamava-se “Lindos Casos de Chico Xavier”, de Ramiro Gama. Quanto mais eu lia, mais pensava “é nisso que eu acredito!”. Sedenta de informações, procurei ler, conhecer, ir a Centros Espíritas. Tinha recém completado 12 anos quando o Espiritismo nasceu em minha vida e a partir desse tempo jamais dele me afastei.


EspiritualMente - Como você vê na atualidade o trabalho de divulgação da Doutrina realizada pelo movimento espírita? Qual a maior dificuldade?

VaniaO trabalho de divulgação espírita tem sido promissor, sem deixar de sofrer também, infelizmente, com o interesse pessoal. A internet, especialmente, trouxe facilidade e rapidez na comunicação, a tecnologia facilitou que a Doutrina se espalhasse e fosse melhor compreendida, minimizando o preconceito e o medo dos leigos, e consolando ao mesmo tempo. Por outro lado, parece-me que para algumas pessoas ser “espírita” virou carreira, importando mais escrever e vender livros do que exercitar o amor e a humildade. O que penso chocará alguns, mas sinto saudades do tempo em que ser espírita era garantia de esforço sem esperar por fama, sucesso, aplausos ou repercussão financeira, tempos em que se fazia uma palestra apenas por amor e não para autografar as obras que estarão sendo vendidas na entrada. A maior dificuldade que enfrenta o movimento espírita atualmente é manter o rumo da caridade moral e material pelo que significam em si mesmas, e não fazer volume angariando adeptos, enquanto satisfaz o ego de alguns de seus profitentes.


EspiritualMente - É difícil ser espírita nos dias atuais? Quais os maiores desafios?


VaniaNão é mais difícil hoje do que foi outrora, é só diferente. Hoje as pessoas vivem com pressa, todos reclamam da correria, do cansaço. Nesse processo de “extinção do tempo” muitos espíritas parecem acreditar que basta intitularem-se como tal e estarão automaticamente em processo autotransformador. Mais do que nunca, o desafio é estar e agir no mundo sem ser do mundo, provando a si mesmo que é possível ser virtuoso no trato cotidiano – no trânsito, no trabalho, perante cada individuo que encontrar no caminho. Devemos lembrar que é imprescindível estudar mais e aplicar o conhecimento adquirido. Perdoem-me a generalização, mas há espíritas que mostram tão pouco interesse doutrinário que erram até no “rótulo” filosófico religioso que se dão, intitulando-se “kardecistas”, quando o conhecimento emanou dos Espíritos e não da pessoa do Codificador – Allan Kardec não privilegiava o próprio ego, nunca deu seu nome ao Espiritismo. Sem estudo não há compreensão, e sem esta não se saberá o valor real do autoconhecimento e da transformação moral. Ser espírita é aplicar na vida o que se aprendeu na doutrina, é o esforço de ser na prática o que se é na teoria.


EspiritualMente - Você é autora de inúmeros artigos, frases e poemas. Como surgiu essa arte em sua vida?

VaniaComeçou e permanece sem nenhuma pretensão. Não escrevo livros, não publico nada que seja cobrado e não pretendo fazê-lo. Desde adolescente via o mundo como os mais próximos não pareciam ver, queria dizer o que sentia e pensava, compartilhar minhas ideias. Percebi que tinha facilidade de escrever o que as pessoas careciam ouvir, que lhes fazia algum bem falando de um jeito que ajudava a pensar sem ferir. Um dia, em uma mensagem mediúnica que recebi através da psicofonia de uma médium que não me conhecia pessoalmente, minha mentora espiritual me afirmou que toda vez que eu “pedia ajuda” para escrever – e notei que o fazia inconscientemente ao pensar “o que digo para ajudar essa pessoa?” – eles, espíritos, me ajudavam. Assim, embora não seja médium ostensiva, a cada vez que quero escrever um texto, procuro antes abrir o coração ao amor, de modo a fazer ponte com os bons espíritos para ajudar de algum modo quem lê.


EspiritualMente -  Sem dúvida, o gênero literário espírita é um dos maiores do mercado brasileiro. Qual sua opinião a respeito da atual literatura espírita? Existe mais quantidade ou qualidade?

VaniaDepois do advento de certa escritora espiritualista brasileira, boa parte dos chamados “romances espíritas” perderam em qualidade de conteúdo doutrinário, marca registrada das boas obras, parecendo mais histórias comuns com algumas referências superficiais sobre espíritos. Isso o cinema americano também faz, pois vende bem. Mas, obras que estimulem verdadeiramente o conhecimento, a mudança de conduta, o interesse em semear novas plantações, certos da colheita do amanhã, não tantos quanto outrora tem se mantido fiéis a realizar. Infelizmente, e aqui reitero o dito anteriormente sobre a necessidade de estudar, há pessoas que são espíritas a partir do que aprenderam lendo romances, omitindo-se quanto a estudar O Evangelho Segundo o Espiritismo ou O Livro dos Espíritos, por exemplo, duas das obras da codificação espíritas indispensáveis ao conhecimento doutrinário.


EspiritualMente - Você também é idealizadora de vários blogs, dentre eles, "Espiritismo SEM Melindres". Você acha que o melindre é um dos grandes problemas que ronda o meio espírita?

VaniaO Blog Espiritismo Sem Melindres nasceu em uma época em que via muito melindre entre os companheiros de certas casas, motivo pelo qual passei a me preocupar com essa conduta. O melindre é o filho dengoso do orgulho, uma manifestação do ego que não aceita ser contrariado ou que as pessoas tenham posicionamentos e condutas diversas, por isso ferindo-se facilmente. O fato de acreditar que estou certa me dá a certeza de estar certa? O outro não tem suas certezas, razões e motivos também? Sim, acredito que o melindre tem sido uma das grandes fissuras morais do espírita, pois não raro acredita saber mais que os outros sobre a vida, e ao perceber que não pensam e agem como ele, especialmente dentro dos centros espíritas nas atividades cotidianas, acaba por sentir-se suscetível, magoando-se facilmente, perdendo tempo importante que poderia ser usado no trabalho construtivo do bem.


EspiritualMente - Como palestrante espírita, quais os pontos que você considera os requisitos básicos para um bom expositor? 

VaniaAprendi que o melhor expositor não imita ninguém, tem seu estilo próprio. O bom palestrante não deve falar como se tudo fosse sofrimento e dor, antes estimula a descoberta das virtudes que já estamos desenvolvendo; não usa a informação apenas para criticar condutas equivocadas, apresenta caminhos doutrinários de superação; não expõe os temas como se estivesse numa festa, privilegia a reflexão: tem equilíbrio entre o momento de seriedade e de leveza. O bom expositor, antes de tudo, deve estudar para compreender o que fala, e falar com o coração. Se fizer isso, facilmente se aprenderá algo a partir de suas palavras.


EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo? 

VaniaDizem que antes do amanhecer a noite esteve em seu momento mais escuro. E tenho convicção de que vivemos na Terra o momento que antecede esse amanhecer. Há muita rebeldia, mas antes havia apenas submissão cega ou fraqueza moral. Há muito atrito, mas antes as pessoas mal enxergavam umas às outras. Na parábola, Jesus alertou que para separar o joio e o trigo se deveria aguardar o momento da colheita, era preciso que o fruto amadurecesse e se mostrasse. Entendo que estando tão perto desse amanhecer, quando a luz se fará em definitivo na Terra, Deus permite que todos sejam o que são, mostrem-se como são para que se faça uma justa separação dos bons e dos maus. Não aprecio, certamente, o que vejo acontecer em nosso país e no mundo, muita discórdia, corrupção, egoísmo, críticas sem fim de quem nada ou pouco faz, mas não tenho nenhuma dúvida de que, apesar de ser necessário escolhermos o bem ou o mal através da conduta, a humanidade inteira está sob o amoroso domínio de quem quer o melhor para todos: o próprio Criador.


EspiritualMente - Como você definiria a sua filosofia de vida?

VaniaMinha filosofia de vida? Superação cotidiana de limites morais. Procuro vigiar os pensamentos; orar constantemente através do pensamento desejoso do bem maior; fazer o que me parece ser o certo, mesmo que os sentimentos que agasalho em minha alma ainda não correspondam de forma equivalente; treinar e treinar mais, as virtudes que não possuo e que estou trabalhando por adquirir.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

VaniaA cada um eu digo: estude, pondere, conclua e aja conforme sua consciência. O ser humano é anjo em potencial, tem luz própria que só não brilha em intensidade porque ainda acredita na escuridão. Tente perceber como faz diferença um tom de voz amigável, um sorriso fraternal. Observe que alimentar o bem com pensamentos ou palavras, o torna mais leve e mais feliz. Analise como dorme melhor após atitudes generosas e a prece derradeira do dia, em gratidão. Lembre-se que não está sozinho, mas sintonizado com a “nuvem de testemunhas” espirituais com as quais se afiniza moralmente. Os sentimentos que abrigamos na alma hoje, nos levarão ao futuro que viveremos depois. Se outrora semeamos lágrimas, não é tarde para semear o amor. E se por enquanto estamos colhendo prantos, amanhã colheremos o bem que aprendermos a realizar. Não desistam de vocês, ajudem Deus a ampará-los com Seu infinito Amor.

 
*     *     *


 

O projeto EspiritualMente agradece a Vania Mugnato de Vasconcelos pela gentileza em conceder esta bela e inspiradora entrevista.

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Entrevista

O nosso convidado desta semana é

Renato Prieto



Ator e diretor capixaba, famoso por atuações em teatros e filmes com temática espírita. Ele já foi visto por mais de 6 milhões de espectadores em diversas peças teatrais que atuou pelo país, dentre elas "A Morte é uma Piada!", "O Semeador de Estrelas", "Além da Vida" e "Quem é Morto Sempre Aparece".


Renato é o protagonista do filme "Nosso Lar", que foi assistido por mais de 10 milhões de pessoas no Brasil e no exterior. Atualmente está em cartaz com a peça "Encontros Impossíveis" e no filme "Irmã Dulce".



*     *     *

EspiritualMente - Como você conheceu o Espiritismo? De onde surgiu a motivação de leva-lo aos palcos teatrais? 

Renato Prieto - Cresci com o assunto sendo ventilado na minha casa por conta de um "anjo bom" (como mamãe chamava), que tinha aparecido para ela na varanda da nossa casa e dado uma receita que me curou. Então sempre foi assim, quando menino, qualquer problema meu, mamãe dizia: - Fale com sua amiga, Noêmia (o nome dela). Eu sempre muito curioso quis saber mais. Então comecei a estudar a Doutrina Espírita muito jovem. Interessante comentar que mamãe enviou uma mensagem dois anos após retornar ao plano espiritual e fala com emoção do seu encontro com Noêmia. Bem, eu não tinha como "fugir" da aproximação e contato com os amigos espirituais... Bom né?


EspiritualMente - Como você vê na atualidade o trabalho de divulgação da Doutrina realizada pelo movimento espírita? O cinema, o teatro e a TV já se consolidaram como instrumentos desta divulgação?

Renato Prieto - Precisamos caminhar muito e rápido. É chegada a hora! Sei que o teatro é pioneiro em nosso país e já foi aceito por toda a sociedade. A TV com suas novelas e o sucesso no cinema precisam continuar a passos largos. Ficaria ainda mais feliz se os empresários espíritas compreendessem a importância de sua participação. Eles precisam estudar as leis de incentivo do nosso país. Ao invés de pagar os impostos, fizessem a dedução para investir nas artes, grande parceira e maior alavanca na divulgação em larga escala da nossa bela Doutrina. O filme "Nosso Lar", via cinema ou DVD, já passou por mais de 40 países. Recebo e-mail de gente que na Alemanha faz reuniões em suas casas, convidam para assistir ao filme e depois fazem debates. Olha que bacana!


EspiritualMente - De 2008 para cá, diversas produções cinematográficas de temática espírita foram produzidas no Brasil, em média, 01 filme por ano. Como você analisa a qualidade dessas produções? Este segmento já chegou ao limite ou ainda tende a crescer?

Renato Prieto - Começamos timidamente e rapidamente compreendemos o processo. Sei que temos muito ainda para caminhar e não vamos parar. Gente qualificada e comprometida com a Doutrina tem, só precisamos, como disse acima, de mais e mais investidores. A qualidade está aliada ao talento e a investimentos à altura dos filmes e da exigência do mercado. É bom termos amor pelo que fazemos, mas só isso não basta, é preciso qualificação.

EspiritualMente - Já existe uma previsão para o lançamento da continuação do filme "Nosso Lar"? Qual sua expectativa em poder voltar a interpretar André Luiz no cinema?

Renato Prieto - Estive esta semana com Wagner de Assis, o diretor do filme. Aí vai a minha opinião: acho que Nosso Lar II - Os Mensageiros começa sua pré-produção em julho de 2015. As filmagens em seguida. Entenda-se "em seguida" de 6 a 7 meses depois da pré-produção. É um processo lento e muito artesanal. Mas vai que nossos amigos espirituais vejam com urgência e ajudem ainda mais! Vamos torcer! Estamos fazendo a nossa parte.

EspiritualMente - Por conta do medo e do desconhecimento, muitas pessoas não gostam de falar sobre a morte. Na peça "A Morte é uma Piada!", você traz uma reflexão bem humorada a respeito deste fenômeno natural da vida. Você já superou o medo e o receio em relação a morte?

Renato Prieto - Eu sempre digo assim: você acredita que a vida continua, então a morte é uma piada! Convivemos com pessoas sem credo ou com vários credos. Precisamos respeitar todos. Na peça, mostrávamos um pouco de tudo e com humor. Neste espetáculo também era exibida na íntegra a mensagem de mamãe e imagens dela. Todos ficavam muito tocados. Quanto a medo, nunca tive. Diria que, se possível, se eu tiver um cadinho de merecimento, não gostaria de retornar ao plano espiritual de forma violenta. Da violência tenho medo sim, moro no Rio de Janeiro e conheço ela bem de perto. Mas...oremos e aguardemos.


EspiritualMente - Há anos você vem trabalhando com a temática espírita/espiritualista no teatro. No decorrer desses anos, já aconteceu algum fato interessante ou inusitado durante a encenação teatral que você atribui a uma causa espiritual?

Renato Prieto - Muito. Eu disse muitos. Recebo depoimento sempre ou falam comigo no final de cada espetáculo. Teatro e cinema são grandes banquetes para nossos amigos transmitirem estas imagens, ali na hora em que tudo está acontecendo para várias regiões do plano espiritual e por todo o planeta. Só que trabalho sempre muito concentrado, prefiro ouvir relatos e depois conversar com meus amigos espirituais sobre este ou aquele acontecimento. A espiritualidade está presente sempre e procuramos tocar a mesma nota para facilitar o trabalho ali realizado e que nem todos enxergam.

EspiritualMente - Com toda essa trajetória profissional dedicada na sua maior parte a temas voltados a espiritualidade e a reflexão, como você encara a sua existência? Qual sua filosofia de vida?

Renato Prieto - Sou muito simples e sem apegos. Esta encarnação está sendo dedicada a divulgação da Doutrina. Sou muito grato sempre pelas oportunidades e responsabilidades. Sigo em frente sempre, muito feliz, aguardando novas tarefas. Como já fui ator em outra encarnação, peguei o fio da meada onde parei e estou indo adiante.


EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo? 

Renato Prieto - Amo nosso Brasil. Viajo muito e sei como este povo é bom. Aqueles que pegaram a responsabilidade de dirigir e não estão cumprindo com a palavra empenhada, que deixem quem quer fazer ocupar o espaço. E acho também que dentro de uns 30 anos, esta turma que está brincando em altos cargos, vai desencarnar. Aí, para cá, acho difícil que voltem! Vão estagiar em outros esferas menos desenvolvidas. Como diz nossa voz popular, "vão ver o que é bom para tosse!" 


EspiritualMente - Quais seus projetos profissionais para 2015?

Renato Prieto - Estou em temporada com o espetáculo "Encontros Impossíveis". Gostaria muito de viajar (conseguir apoio/passagens) e poder mostrar este belo espetáculo a todo o país. Começo a filmar ainda neste mês de janeiro "A Menina Índigo", depois "Nosso Lar", depois vou fazer a continuação de um espetáculo que o público pede muito, "A Morte é uma Piada 2!". Ufa, que mais? Muitos eventos beneficentes, congressos etc. Acho que já  acabou 2015, vou pensar em 2016/2017.

 
EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

Renato Prieto - Que sigam em frente, acreditem e ponham em prática seus sonhos. Sejam gratos sempre. Que saiam da zona de conforto e pé na estrada, para evoluir precisamos caminhar, manter a mente aberta a boas intuições, a
saúde (nosso bem maior). E não tenham medo de críticas, quem critica muito geralmente pouco faz. Você errando, acertando, faz! Então faça a sua parte!


*     *     *


O projeto EspiritualMente agradece a Renato Prieto pela gentileza em conceder esta bela e interessante entrevista. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Entrevista

O nosso convidado desta semana é

Juliano Pozati


Publicitário paulista, bacharel em Marketing e pós-graduado em Estratégia Militar para Gestão de Negócios pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Especialista em Comunicação Integrada e Estratégias de Branding, atua no mercado de comunicação e marketing desde 1999.

Juliano mora em São Paulo, é diretor executivo da Pozati Comunicação e presta serviços de assessoria de marketing e comunicação para empresas no Brasil, Europa e Estados Unidos. Hoje também é responsável por todas as ações estratégicas de marketing esportivo da empresa suíça Front Group.
Sua paixão são documentários. Como roteirista e produtor executivo, realizou em 2014 o filme Data Limite segundo Chico Xavier, traduzido para 6 idiomas e indicado para o Festival de Cinema Espírita de Lyon, França.



*     *     *

EspiritualMente - Como o Espiritismo chegou em sua vida? Qual o seu grau de envolvimento atual com ele?

Juliano Pozati - Foi em 2006, através do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Passei a minha infância e adolescência como líder de movimento na Igreja Católica, onde experimentei e vivi uma espiritualidade muito bacana. Mas chegou enfim o momento (e ele sempre chega!) onde algumas perguntas e questionamentos foram mais fortes e impulsionaram a busca por respostas, por uma fé mais raciocinada e científica. Eu sou absolutamente fã da obra e da metodologia de Kardec. Ainda hoje, lendo atentamente, encontro preciosidades. Coisas que as vezes a compreensão da época não fora capaz de digerir, mas que hoje, com o avanço da ciência e da tecnologia, não raramente me surpreendem. Sendo bem sincero, não costumo me intitular “espírita”, porque não gosto de rótulos. São inúteis! Se não assumo um rótulo, tenho a possibilidade, como Paulo, de ser cristão com os cristãos, judeu com os judeus e gentil com os gentis. Acredito que a diversidade de múltiplos pontos de vista experienciais contribuem para uma melhor compreensão do todo. Outro dia me perguntaram numa palestra: “Você é espírita?” E eu respondi: “Não! Sou espírito!” (risos)


EspiritualMente - Como você vê na atualidade o trabalho de divulgação da doutrina realizada pelo movimento espírita? Quais as maiores dificuldades? O que precisa ser melhorado nesta divulgação?

Juliano Pozati - Kardec em sua época usou o que se tinha de mais sofisticado para propagação das novas ideias: publicações! Livros, revistas, livretos, etc. Era o que de melhor se tinha naquele momento. Gosto muito da literatura espírita atual, da qualidade da diagramação, de sua distribuição, etc. Mas é hora de usarmos o que temos de mais sofisticado disponível atualmente: o audiovisual. Os EUA perceberam rapidamente, sobretudo durante e após a II Guerra Mundial, a força ideológica do cinema. E proliferaram suas ideias e cultura por todo o mundo através dele. Criaram marcas globais fortes e adoradas nos 4 cantos do mundo. Tornaram-se mestres da 7ª arte propagando ideias que nem sempre são relevantes para a jornada evolutiva da humanidade. Penso que o aperfeiçoamento da divulgação de conhecimentos absolutos decodificados na obra de Kardec, como a imortalidade do espírito, a pluralidade dos mundos habitados, o reencarnacionismo, devam necessariamente ser impulsionados pelo cinema e pelo audiovisual. Esta é minha visão e vocação.



EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo? 

Juliano Pozati - Toda vida tenho excelentes perspectivas! E não por acaso elas são sempre do mesmo tamanho dos desafios que estão por vir. Assim é comigo, com o Brasil e com o mundo. Temos sempre as melhores perspectivas pela frente. Coragem para levantar-se a fazer as perspectivas virarem realidade já é uma outra conversa.



EspiritualMente - O prazo de 50 anos concedido para a humanidade evoluir e viver em paz está chegando ao fim. Felizmente, até o momento, não ocorreu uma 3ª grande guerra mundial. Recentemente, EUA e Cuba se reaproximaram. Na sua opinião, estamos cumprindo bem esse prazo?

Juliano Pozati - A grande questão apontada por Chico era sobre uma guerra nuclear. Guerra mundial sim, mas com o uso de armamento nuclear. Não é pra menos, afinal o último relatório da Associação de Cientistas Atômicos, publicado no jornal britânico The Guardian, sugere que o arsenal nuclear dos países do chamado “clube atômico” passa a casa de 10.000 ogivas nucleares. Mas, por outro lado, o General Alberto Cardoso fez uma colocação muito sábia num encontro que tivemos em Brasília. Ele dizia que, hoje, se um país invade o outro, como no caso dos EUA com o Iraque e Afeganistão, por trás do exército e da democracia, vem as multinacionais. É uma dominação mercadológica. Se você vence uma batalha aniquilando totalmente o país com uma bomba nuclear, você vence a batalha mas perde a guerra mercadológica. Isto sem falar no efeito borboleta dos mercados financeiros, onde uma gripe em uma ilhazinha do pacífico mexe com todo o sistema global. Então, penso que pelo bem ou pelo mal, estamos bem encaminhados.


EspiritualMente - De 2008 para cá, diversas produções cinematográficas de temática espírita foram lançadas no Brasil, em média, 01 filme por ano. Como você analisa a qualidade dessas produções? É um segmento que tende a crescer?

Juliano Pozati - Em geral, e não estou falando somente das produções espíritas, mas do mercado cinematográfico brasileiro, nossas produções estão engatinhando, em termos de qualidade, roteiro, orçamento e faturamento. Não tem milagre. Um bom orçamento possibilita bons profissionais, que produzem uma boa obra e geram um bom faturamento. O filme "Chico Xavier", por exemplo, foi visto por 3 milhões de espectadores desde a sua estreia e faturou R$ 27 milhões nas bilheterias. Já o novo "X-Men" vendeu 261,8 milhões de dólares em ingressos mundialmente em seus três primeiros dias de exibição em 119 países, incluindo 37,7 milhões de dólares na China. Longe de idealismos, penso sim  que o mercado tende a crescer, mas temos muito o que evoluir em qualidade de produção antes.


EspiritualMente - Durante a produção de "Data Limite segundo Chico Xavier", como foi o estado espiritual da equipe? Algum de vocês sentiu alguma presença espiritual ou uma inspiração diferenciada?

Juliano Pozati - Produzir o Data Limite não só mudou a nossa forma de ver as coisas, mas como de fazer também. O Fabio Medeiros e a Rebeca Casagrande são mais tranquilos em alguns aspectos. Mas eu sou o cara do planejamento. Se algo escapava ao controle, eu era o primeiro a surtar. Mas fomos vendo, em diversos momentos, que não era a nossa tarefa cuidar de certos detalhes ou certas agendas. E vimos a mão da espiritualidade nos guiando e muitas vezes resolvendo diversas questões por nós. Não raras foram as vezes em que fomos dormir sem a solução de um problema, e dizíamos: “Chicão, essa fica por sua conta”. E no dia seguinte a coisa estava resolvida, ou acordávamos com a ideia que a resolveria. Hoje já estamos mais escolados e sabemos que o nosso time é maior do lado de lá do que do lado de cá.


EspiritualMente - Como você está recebendo os comentários, elogios e críticas referentes a "Data Limite"? Como o público não-espírita está reagindo ao documentário?

Juliano Pozati - O Filme foi recebido muito bem, em todos os aspectos. Tenho um relatório desta semana que aponta um índice de aprovação de 99,8% (parece até piada!) Como eu disse acima, não gosto de rótulos, e como nunca rotulamos o Data Limite, ele foi bem aceito por todos, até porque, o espiritismo dá a sua contribuição ao filme, que é gigantesca, mas a parapsicologia, a física quântica, a filosofia, a política internacional e tantas outras áreas do conhecimento humano também. Por isso, a mensagem do Data Limite não é direcionada aos espíritas ou não-espíritas, e sim para toda gente que estiver interessada na cooperação e na construção de um mundo bem melhor. Paul Hellyer, ex-ministro do Canadá, nunca sequer havia ouvido falar em Chico Xavier, e defende exatamente as mesmas ideias que o médium.


EspiritualMente - Após "Data Limite", como você está encarando a existência? Mudou algo em sua filosofia de vida? 

Juliano Pozati - O Data Limite tem um pouco de mim, um pouco do Fabio Medeiros, que dirigiu o filme, e um pouco da Rebeca Casagrande que também escreveu roteiro e produziu comigo a obra. Mas também tem muito da espiritualidade e da grandeza dos seres humanos que entrevistamos. Nós apenas lapidamos o conhecimento e o entregamos em formato audiovisual. Nós o lapidamos e por ele fomos lapidados também. Hoje enxergamos que é possível avançar em muito com esse tipo de produção no Brasil. Que as pessoas esperam e anseiam pelos mesmos conhecimentos que nós. Por isso, decidimos que só produziremos conteúdo inteligente que provoque a construção de um mundo bem melhor.


EspiritualMente - Você tem outros projetos cinematográficos com a temática espírita?

Juliano Pozati - Todos os nossos próximos projetos tem temática espírita, porque somos espíritos vivendo a experiência da carne. Para a carne, já tem muita gente produzindo. Por isso queremos produzir para o espírito. Este ano serão pelo menos 4 novos lançamentos com este objetivo, incluindo a continuação do Data Limite.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

Juliano Pozati - Que procurem transcender a objetividade do TER para a realidade do SER. Ter conhecimento é bom. Mas SER o conhecimento é o que muda tudo.


*     *     *
O projeto EspiritualMente agradece a Juliano Pozati pela gentileza em conceder esta bela e interessante entrevista.