quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Entrevista

O nosso convidado desta semana é

Juliano Pozati


Publicitário paulista, bacharel em Marketing e pós-graduado em Estratégia Militar para Gestão de Negócios pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Especialista em Comunicação Integrada e Estratégias de Branding, atua no mercado de comunicação e marketing desde 1999.

Juliano mora em São Paulo, é diretor executivo da Pozati Comunicação e presta serviços de assessoria de marketing e comunicação para empresas no Brasil, Europa e Estados Unidos. Hoje também é responsável por todas as ações estratégicas de marketing esportivo da empresa suíça Front Group.
Sua paixão são documentários. Como roteirista e produtor executivo, realizou em 2014 o filme Data Limite segundo Chico Xavier, traduzido para 6 idiomas e indicado para o Festival de Cinema Espírita de Lyon, França.



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EspiritualMente - Como o Espiritismo chegou em sua vida? Qual o seu grau de envolvimento atual com ele?

Juliano Pozati - Foi em 2006, através do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Passei a minha infância e adolescência como líder de movimento na Igreja Católica, onde experimentei e vivi uma espiritualidade muito bacana. Mas chegou enfim o momento (e ele sempre chega!) onde algumas perguntas e questionamentos foram mais fortes e impulsionaram a busca por respostas, por uma fé mais raciocinada e científica. Eu sou absolutamente fã da obra e da metodologia de Kardec. Ainda hoje, lendo atentamente, encontro preciosidades. Coisas que as vezes a compreensão da época não fora capaz de digerir, mas que hoje, com o avanço da ciência e da tecnologia, não raramente me surpreendem. Sendo bem sincero, não costumo me intitular “espírita”, porque não gosto de rótulos. São inúteis! Se não assumo um rótulo, tenho a possibilidade, como Paulo, de ser cristão com os cristãos, judeu com os judeus e gentil com os gentis. Acredito que a diversidade de múltiplos pontos de vista experienciais contribuem para uma melhor compreensão do todo. Outro dia me perguntaram numa palestra: “Você é espírita?” E eu respondi: “Não! Sou espírito!” (risos)


EspiritualMente - Como você vê na atualidade o trabalho de divulgação da doutrina realizada pelo movimento espírita? Quais as maiores dificuldades? O que precisa ser melhorado nesta divulgação?

Juliano Pozati - Kardec em sua época usou o que se tinha de mais sofisticado para propagação das novas ideias: publicações! Livros, revistas, livretos, etc. Era o que de melhor se tinha naquele momento. Gosto muito da literatura espírita atual, da qualidade da diagramação, de sua distribuição, etc. Mas é hora de usarmos o que temos de mais sofisticado disponível atualmente: o audiovisual. Os EUA perceberam rapidamente, sobretudo durante e após a II Guerra Mundial, a força ideológica do cinema. E proliferaram suas ideias e cultura por todo o mundo através dele. Criaram marcas globais fortes e adoradas nos 4 cantos do mundo. Tornaram-se mestres da 7ª arte propagando ideias que nem sempre são relevantes para a jornada evolutiva da humanidade. Penso que o aperfeiçoamento da divulgação de conhecimentos absolutos decodificados na obra de Kardec, como a imortalidade do espírito, a pluralidade dos mundos habitados, o reencarnacionismo, devam necessariamente ser impulsionados pelo cinema e pelo audiovisual. Esta é minha visão e vocação.



EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo? 

Juliano Pozati - Toda vida tenho excelentes perspectivas! E não por acaso elas são sempre do mesmo tamanho dos desafios que estão por vir. Assim é comigo, com o Brasil e com o mundo. Temos sempre as melhores perspectivas pela frente. Coragem para levantar-se a fazer as perspectivas virarem realidade já é uma outra conversa.



EspiritualMente - O prazo de 50 anos concedido para a humanidade evoluir e viver em paz está chegando ao fim. Felizmente, até o momento, não ocorreu uma 3ª grande guerra mundial. Recentemente, EUA e Cuba se reaproximaram. Na sua opinião, estamos cumprindo bem esse prazo?

Juliano Pozati - A grande questão apontada por Chico era sobre uma guerra nuclear. Guerra mundial sim, mas com o uso de armamento nuclear. Não é pra menos, afinal o último relatório da Associação de Cientistas Atômicos, publicado no jornal britânico The Guardian, sugere que o arsenal nuclear dos países do chamado “clube atômico” passa a casa de 10.000 ogivas nucleares. Mas, por outro lado, o General Alberto Cardoso fez uma colocação muito sábia num encontro que tivemos em Brasília. Ele dizia que, hoje, se um país invade o outro, como no caso dos EUA com o Iraque e Afeganistão, por trás do exército e da democracia, vem as multinacionais. É uma dominação mercadológica. Se você vence uma batalha aniquilando totalmente o país com uma bomba nuclear, você vence a batalha mas perde a guerra mercadológica. Isto sem falar no efeito borboleta dos mercados financeiros, onde uma gripe em uma ilhazinha do pacífico mexe com todo o sistema global. Então, penso que pelo bem ou pelo mal, estamos bem encaminhados.


EspiritualMente - De 2008 para cá, diversas produções cinematográficas de temática espírita foram lançadas no Brasil, em média, 01 filme por ano. Como você analisa a qualidade dessas produções? É um segmento que tende a crescer?

Juliano Pozati - Em geral, e não estou falando somente das produções espíritas, mas do mercado cinematográfico brasileiro, nossas produções estão engatinhando, em termos de qualidade, roteiro, orçamento e faturamento. Não tem milagre. Um bom orçamento possibilita bons profissionais, que produzem uma boa obra e geram um bom faturamento. O filme "Chico Xavier", por exemplo, foi visto por 3 milhões de espectadores desde a sua estreia e faturou R$ 27 milhões nas bilheterias. Já o novo "X-Men" vendeu 261,8 milhões de dólares em ingressos mundialmente em seus três primeiros dias de exibição em 119 países, incluindo 37,7 milhões de dólares na China. Longe de idealismos, penso sim  que o mercado tende a crescer, mas temos muito o que evoluir em qualidade de produção antes.


EspiritualMente - Durante a produção de "Data Limite segundo Chico Xavier", como foi o estado espiritual da equipe? Algum de vocês sentiu alguma presença espiritual ou uma inspiração diferenciada?

Juliano Pozati - Produzir o Data Limite não só mudou a nossa forma de ver as coisas, mas como de fazer também. O Fabio Medeiros e a Rebeca Casagrande são mais tranquilos em alguns aspectos. Mas eu sou o cara do planejamento. Se algo escapava ao controle, eu era o primeiro a surtar. Mas fomos vendo, em diversos momentos, que não era a nossa tarefa cuidar de certos detalhes ou certas agendas. E vimos a mão da espiritualidade nos guiando e muitas vezes resolvendo diversas questões por nós. Não raras foram as vezes em que fomos dormir sem a solução de um problema, e dizíamos: “Chicão, essa fica por sua conta”. E no dia seguinte a coisa estava resolvida, ou acordávamos com a ideia que a resolveria. Hoje já estamos mais escolados e sabemos que o nosso time é maior do lado de lá do que do lado de cá.


EspiritualMente - Como você está recebendo os comentários, elogios e críticas referentes a "Data Limite"? Como o público não-espírita está reagindo ao documentário?

Juliano Pozati - O Filme foi recebido muito bem, em todos os aspectos. Tenho um relatório desta semana que aponta um índice de aprovação de 99,8% (parece até piada!) Como eu disse acima, não gosto de rótulos, e como nunca rotulamos o Data Limite, ele foi bem aceito por todos, até porque, o espiritismo dá a sua contribuição ao filme, que é gigantesca, mas a parapsicologia, a física quântica, a filosofia, a política internacional e tantas outras áreas do conhecimento humano também. Por isso, a mensagem do Data Limite não é direcionada aos espíritas ou não-espíritas, e sim para toda gente que estiver interessada na cooperação e na construção de um mundo bem melhor. Paul Hellyer, ex-ministro do Canadá, nunca sequer havia ouvido falar em Chico Xavier, e defende exatamente as mesmas ideias que o médium.


EspiritualMente - Após "Data Limite", como você está encarando a existência? Mudou algo em sua filosofia de vida? 

Juliano Pozati - O Data Limite tem um pouco de mim, um pouco do Fabio Medeiros, que dirigiu o filme, e um pouco da Rebeca Casagrande que também escreveu roteiro e produziu comigo a obra. Mas também tem muito da espiritualidade e da grandeza dos seres humanos que entrevistamos. Nós apenas lapidamos o conhecimento e o entregamos em formato audiovisual. Nós o lapidamos e por ele fomos lapidados também. Hoje enxergamos que é possível avançar em muito com esse tipo de produção no Brasil. Que as pessoas esperam e anseiam pelos mesmos conhecimentos que nós. Por isso, decidimos que só produziremos conteúdo inteligente que provoque a construção de um mundo bem melhor.


EspiritualMente - Você tem outros projetos cinematográficos com a temática espírita?

Juliano Pozati - Todos os nossos próximos projetos tem temática espírita, porque somos espíritos vivendo a experiência da carne. Para a carne, já tem muita gente produzindo. Por isso queremos produzir para o espírito. Este ano serão pelo menos 4 novos lançamentos com este objetivo, incluindo a continuação do Data Limite.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

Juliano Pozati - Que procurem transcender a objetividade do TER para a realidade do SER. Ter conhecimento é bom. Mas SER o conhecimento é o que muda tudo.


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O projeto EspiritualMente agradece a Juliano Pozati pela gentileza em conceder esta bela e interessante entrevista.
 

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