sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entrevista

A nossa convidada desta semana é

Vania Mugnato de Vasconcelos


Curitibana residente no Estado de São Paulo há quase 17 anos, casada com Ricardo Henrique, Engenheiro Químico, e mãe de Thiago Henrique, adolescente de 13 anos.

Assistente Social, pós-graduada em Recursos Humanos, tendo concluído em 2014 a faculdade de Direito, Bacharel em preparação para o próximo exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Há quase dois anos Estagiária da área da Família na Defensoria Pública do Estado de São Paulo, na Comarca de Jundiaí, cidade onde reside.

Espírita há 35 anos, Discípula de Jesus pela Aliança Espírita Evangélica do ABC Paulista, há 11 anos faz palestras espíritas, escritora de artigos em suas páginas pessoais e blogs na internet. No Facebook, além de escrever textos em seu perfil pessoal, é responsável por responder mensagens privadas dos irmãos que pedem esclarecimentos espíritas, em um grande grupo de divulgação, o Instituto Chico Xavier.

 
Perfil no Facebook
https://www.facebook.com/vaniamv19

Blog Espiritismo SEM Melindres (textos)
http://espiritismosemmelindres.blogspot.com

Blog Palestras Espíritas (áudios)
http://palestrasespiritaspps.blogspot.com

Blog Rabiscos de Vitória Luz (poesias)
http://rabiscosdevitorialuz.blogspot.com


https://www.youtube.com/user/vanialoira19


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EspiritualMente - Como você conheceu o Espiritismo? Qual a importância desta Doutrina em sua vida atualmente? 

VaniaCriada católica, bem próxima a freiras, padres e seminaristas que residiam no bairro de minha infância, desde muito nova a questão da fé e do serviço a Deus foram temas fascinantes aos meus olhos. Aos 7 anos acreditava que seria feliz se fosse freira! Contudo, a vida me levou a outro rumo. Ainda criança meus pais foram visitar um casal de espíritas e, apreciando muito a leitura, ao invés de brincar, fui ver a estante cheia de livros que possuíam os anfitriões. Um livro em especial me encantou. Chamava-se “Lindos Casos de Chico Xavier”, de Ramiro Gama. Quanto mais eu lia, mais pensava “é nisso que eu acredito!”. Sedenta de informações, procurei ler, conhecer, ir a Centros Espíritas. Tinha recém completado 12 anos quando o Espiritismo nasceu em minha vida e a partir desse tempo jamais dele me afastei.


EspiritualMente - Como você vê na atualidade o trabalho de divulgação da Doutrina realizada pelo movimento espírita? Qual a maior dificuldade?

VaniaO trabalho de divulgação espírita tem sido promissor, sem deixar de sofrer também, infelizmente, com o interesse pessoal. A internet, especialmente, trouxe facilidade e rapidez na comunicação, a tecnologia facilitou que a Doutrina se espalhasse e fosse melhor compreendida, minimizando o preconceito e o medo dos leigos, e consolando ao mesmo tempo. Por outro lado, parece-me que para algumas pessoas ser “espírita” virou carreira, importando mais escrever e vender livros do que exercitar o amor e a humildade. O que penso chocará alguns, mas sinto saudades do tempo em que ser espírita era garantia de esforço sem esperar por fama, sucesso, aplausos ou repercussão financeira, tempos em que se fazia uma palestra apenas por amor e não para autografar as obras que estarão sendo vendidas na entrada. A maior dificuldade que enfrenta o movimento espírita atualmente é manter o rumo da caridade moral e material pelo que significam em si mesmas, e não fazer volume angariando adeptos, enquanto satisfaz o ego de alguns de seus profitentes.


EspiritualMente - É difícil ser espírita nos dias atuais? Quais os maiores desafios?


VaniaNão é mais difícil hoje do que foi outrora, é só diferente. Hoje as pessoas vivem com pressa, todos reclamam da correria, do cansaço. Nesse processo de “extinção do tempo” muitos espíritas parecem acreditar que basta intitularem-se como tal e estarão automaticamente em processo autotransformador. Mais do que nunca, o desafio é estar e agir no mundo sem ser do mundo, provando a si mesmo que é possível ser virtuoso no trato cotidiano – no trânsito, no trabalho, perante cada individuo que encontrar no caminho. Devemos lembrar que é imprescindível estudar mais e aplicar o conhecimento adquirido. Perdoem-me a generalização, mas há espíritas que mostram tão pouco interesse doutrinário que erram até no “rótulo” filosófico religioso que se dão, intitulando-se “kardecistas”, quando o conhecimento emanou dos Espíritos e não da pessoa do Codificador – Allan Kardec não privilegiava o próprio ego, nunca deu seu nome ao Espiritismo. Sem estudo não há compreensão, e sem esta não se saberá o valor real do autoconhecimento e da transformação moral. Ser espírita é aplicar na vida o que se aprendeu na doutrina, é o esforço de ser na prática o que se é na teoria.


EspiritualMente - Você é autora de inúmeros artigos, frases e poemas. Como surgiu essa arte em sua vida?

VaniaComeçou e permanece sem nenhuma pretensão. Não escrevo livros, não publico nada que seja cobrado e não pretendo fazê-lo. Desde adolescente via o mundo como os mais próximos não pareciam ver, queria dizer o que sentia e pensava, compartilhar minhas ideias. Percebi que tinha facilidade de escrever o que as pessoas careciam ouvir, que lhes fazia algum bem falando de um jeito que ajudava a pensar sem ferir. Um dia, em uma mensagem mediúnica que recebi através da psicofonia de uma médium que não me conhecia pessoalmente, minha mentora espiritual me afirmou que toda vez que eu “pedia ajuda” para escrever – e notei que o fazia inconscientemente ao pensar “o que digo para ajudar essa pessoa?” – eles, espíritos, me ajudavam. Assim, embora não seja médium ostensiva, a cada vez que quero escrever um texto, procuro antes abrir o coração ao amor, de modo a fazer ponte com os bons espíritos para ajudar de algum modo quem lê.


EspiritualMente -  Sem dúvida, o gênero literário espírita é um dos maiores do mercado brasileiro. Qual sua opinião a respeito da atual literatura espírita? Existe mais quantidade ou qualidade?

VaniaDepois do advento de certa escritora espiritualista brasileira, boa parte dos chamados “romances espíritas” perderam em qualidade de conteúdo doutrinário, marca registrada das boas obras, parecendo mais histórias comuns com algumas referências superficiais sobre espíritos. Isso o cinema americano também faz, pois vende bem. Mas, obras que estimulem verdadeiramente o conhecimento, a mudança de conduta, o interesse em semear novas plantações, certos da colheita do amanhã, não tantos quanto outrora tem se mantido fiéis a realizar. Infelizmente, e aqui reitero o dito anteriormente sobre a necessidade de estudar, há pessoas que são espíritas a partir do que aprenderam lendo romances, omitindo-se quanto a estudar O Evangelho Segundo o Espiritismo ou O Livro dos Espíritos, por exemplo, duas das obras da codificação espíritas indispensáveis ao conhecimento doutrinário.


EspiritualMente - Você também é idealizadora de vários blogs, dentre eles, "Espiritismo SEM Melindres". Você acha que o melindre é um dos grandes problemas que ronda o meio espírita?

VaniaO Blog Espiritismo Sem Melindres nasceu em uma época em que via muito melindre entre os companheiros de certas casas, motivo pelo qual passei a me preocupar com essa conduta. O melindre é o filho dengoso do orgulho, uma manifestação do ego que não aceita ser contrariado ou que as pessoas tenham posicionamentos e condutas diversas, por isso ferindo-se facilmente. O fato de acreditar que estou certa me dá a certeza de estar certa? O outro não tem suas certezas, razões e motivos também? Sim, acredito que o melindre tem sido uma das grandes fissuras morais do espírita, pois não raro acredita saber mais que os outros sobre a vida, e ao perceber que não pensam e agem como ele, especialmente dentro dos centros espíritas nas atividades cotidianas, acaba por sentir-se suscetível, magoando-se facilmente, perdendo tempo importante que poderia ser usado no trabalho construtivo do bem.


EspiritualMente - Como palestrante espírita, quais os pontos que você considera os requisitos básicos para um bom expositor? 

VaniaAprendi que o melhor expositor não imita ninguém, tem seu estilo próprio. O bom palestrante não deve falar como se tudo fosse sofrimento e dor, antes estimula a descoberta das virtudes que já estamos desenvolvendo; não usa a informação apenas para criticar condutas equivocadas, apresenta caminhos doutrinários de superação; não expõe os temas como se estivesse numa festa, privilegia a reflexão: tem equilíbrio entre o momento de seriedade e de leveza. O bom expositor, antes de tudo, deve estudar para compreender o que fala, e falar com o coração. Se fizer isso, facilmente se aprenderá algo a partir de suas palavras.


EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo? 

VaniaDizem que antes do amanhecer a noite esteve em seu momento mais escuro. E tenho convicção de que vivemos na Terra o momento que antecede esse amanhecer. Há muita rebeldia, mas antes havia apenas submissão cega ou fraqueza moral. Há muito atrito, mas antes as pessoas mal enxergavam umas às outras. Na parábola, Jesus alertou que para separar o joio e o trigo se deveria aguardar o momento da colheita, era preciso que o fruto amadurecesse e se mostrasse. Entendo que estando tão perto desse amanhecer, quando a luz se fará em definitivo na Terra, Deus permite que todos sejam o que são, mostrem-se como são para que se faça uma justa separação dos bons e dos maus. Não aprecio, certamente, o que vejo acontecer em nosso país e no mundo, muita discórdia, corrupção, egoísmo, críticas sem fim de quem nada ou pouco faz, mas não tenho nenhuma dúvida de que, apesar de ser necessário escolhermos o bem ou o mal através da conduta, a humanidade inteira está sob o amoroso domínio de quem quer o melhor para todos: o próprio Criador.


EspiritualMente - Como você definiria a sua filosofia de vida?

VaniaMinha filosofia de vida? Superação cotidiana de limites morais. Procuro vigiar os pensamentos; orar constantemente através do pensamento desejoso do bem maior; fazer o que me parece ser o certo, mesmo que os sentimentos que agasalho em minha alma ainda não correspondam de forma equivalente; treinar e treinar mais, as virtudes que não possuo e que estou trabalhando por adquirir.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

VaniaA cada um eu digo: estude, pondere, conclua e aja conforme sua consciência. O ser humano é anjo em potencial, tem luz própria que só não brilha em intensidade porque ainda acredita na escuridão. Tente perceber como faz diferença um tom de voz amigável, um sorriso fraternal. Observe que alimentar o bem com pensamentos ou palavras, o torna mais leve e mais feliz. Analise como dorme melhor após atitudes generosas e a prece derradeira do dia, em gratidão. Lembre-se que não está sozinho, mas sintonizado com a “nuvem de testemunhas” espirituais com as quais se afiniza moralmente. Os sentimentos que abrigamos na alma hoje, nos levarão ao futuro que viveremos depois. Se outrora semeamos lágrimas, não é tarde para semear o amor. E se por enquanto estamos colhendo prantos, amanhã colheremos o bem que aprendermos a realizar. Não desistam de vocês, ajudem Deus a ampará-los com Seu infinito Amor.

 
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O projeto EspiritualMente agradece a Vania Mugnato de Vasconcelos pela gentileza em conceder esta bela e inspiradora entrevista.

 

5 comentários:

  1. Feliz pela oportunidade de contribuir, agradeço imensamente ao site e seus leitores! Paz!

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  2. Vania é sempre uma lição de vida, pelo que sente e expressa! Parabéns!

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    1. Obrigada meu amigo Fernando! Você sempre generoso comigo!

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  3. Olá meu amigo! Que honra poder ler algo tão bom! Também sou amiga da Vania, no face. Amei a entrevista, bastante esclarecedora e repleta de ensinamentos! Deus os abençoe sempre mais. Beijos, abraços... Luz! Sua amiga Alê

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