sábado, 4 de abril de 2015

Entrevista

O convidado desta semana é

Richard Simonetti

É de Bauru, Estado de São Paulo. Nasceu em 10 de outubro de 1935.

De família espírita, participa do movimento desde os verdes anos, integrado no Centro Espírita Amor e Caridade, que desenvolve largo trabalho no campo doutrinário e filantrópico.

Articulou o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que prestam relevantes serviços de divulgação em dezenas de cidades.

É colaborador assíduo de jornais e revistas espíritas, notadamente O Reformador, Revista Internacional de Espiritismo e Folha Espírita.

Funcionário aposentado do Banco do Brasil, tem visitado todos os Estados brasileiros e alguns países, em palestras de divulgação da Doutrina Espírita.

Tem 58 livros publicados. É membro da Academia Bauruense de Letras.


Alguns dos seus livros:




*       *       *

EspiritualMente - Como surgiu em sua vida o Espiritismo e o talento para a escrita?

Richard - Sou espírita “da gema”. Meus pais eram médiuns. Minha mãe trabalhou, em grande parte de sua vida, no Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru, do qual participo também. Quanto ao sugerido talento para a escrita, sua pergunta é confortadora. Sempre me considerei mero operário da palavra. Minhas produções demandam muito esforço na oficina do estudo e da reflexão.


EspiritualMente - Você já escreveu dezenas de livros abordando o Espiritismo das mais variadas maneiras e gêneros (atualidade, autoajuda, estudo, histórias, crônicas e romances). Existe algum aspecto da Doutrina ou algum enfoque que você ainda queira abordar?

Richard - Todo autor, ainda que de larga produção, é, invariavelmente monocórdio, isto é, tende a fixar-se em determinado tema, que repete à exaustão, como o compositor a produzir variações em torno de uma clave de Sol. A minha “clave” é o esforço de renovação pela reflexão e a prática do Bem. Está no fundo de todos os meus livros, em qualquer gênero. Creio que irei assim até que me convoquem para a Espiritualidade, tentando, com essa insistência que rescende a teimosia, alcançar a suprema realização de vivenciar o que escrevo.


EspiritualMente - Muitos leitores afirmam que compreenderam muitos dos postulados espíritas através dos seus livros. Além disso, muita gente gosta da sua forma simples e bem humorada de abordar vários temas complexos. Podemos afirmar que sua missão como escritor é simplificar o Espiritismo e tornar sua compreensão mais acessível e agradável?

Richard - Realmente, dentro de minhas exíguas possibilidades, tento “trocar em miúdos” a Doutrina, usando uma linguagem clara, objetiva e, sempre que possível, bem-humorada, abrindo a boca do leitor pelo riso para enfiar-lhe goela abaixo (ou acima) a conceituação doutrinária. Dá muito trabalho, não só por minhas limitações, mas, também, porque se é fácil escrever difícil, muito difícil é escrever fácil, de forma a que o leitor entenda sem recorrer a dicionários ou “dar nó no bestunto”.


EspiritualMente - Sem dúvida, o gênero literário espírita é um dos maiores do mercado editorial brasileiro. Qual sua opinião a respeito da atual literatura espírita? Existe mais quantidade ou qualidade?

Richard - A produção literária espírita avança muito rápido, tão rápido que deixa para traz a qualidade. O mercado está congestionado por livros que não acrescentam nada e, não raro, trazem ideias distanciadas dos princípios doutrinários, semeando a fantasia. Isso ocorre particularmente em relação à literatura mediúnica, em que parece haver uma disputa para ver qual médium consegue ser mais fantasioso. Uma lástima.


EspiritualMente - Qual sua avaliação sobre a divulgação da Doutrina realizada pelo movimento espírita nos dias atuais?

Richard - Há grandes avanços, envolvendo principalmente a rádio e a televisão web, via internet, a meu ver o futuro da divulgação, mas ainda estamos  engatinhando em relação aos desafios atuais, como uma TV aberta, de amplitude nacional, como ocorre com o movimento católico e o protestante.


EspiritualMente Você acha que a Doutrina Espírita está cumprindo os seus objetivos na sociedade brasileira ou ainda falta alguma coisa? Como você vê o futuro do Espiritismo?

Richard - Como movimento filosófico e religioso, o Espiritismo segue em marcha lenta em nosso país. O número de adeptos, segundo o IBGE não ultrapassa os três milhões. O que é alentador é a constatação de que as ideias espíritas ganham corpo a cada dia. Princípios como a reencarnação, a lei de causa e efeito e a comunicação dos Espíritos são admitidos por metade da população, confirmando a previsão de Leon Denis de que o Espiritismo poderá não ser a religião do futuro, mas, certamente, será o futuro das religiões. Dia virá em que serão assimilados pelas religiões majoritárias, simplesmente porque não são meros princípios, mas leis de caráter universal que regem a evolução do espírito humano.


EspiritualMenteÉ difícil ser espírita nos agitados e estressados dias de hoje? Qual o maior desafio?

Richard - Eu diria que somente com o empenho de sermos espíritas conseguiremos sustentar o equilíbrio e a paz nos dias atuais, de grandes e decisivas transições, que nos afetam e perturbam, à semelhança do terremoto que sacode a superfície quando há mudanças nas profundezas do solo. Nesse particular, o grande desafio é superar a tendência de sermos espíritas nas ideias, mas materialistas no comportamento.


EspiritualMente - De todos os seus livros, qual aquele que você tem um carinho especial? Por quê?

Richard - Como todo pai, o cuidado mais intenso é com o caçula, nessa família de 58 filhos. Tenho muito carinho com o livro que está sendo lançado pela CEAC-Editora: Contra os príncipes e as potestades, um romance que gira em torno do assédio de Espíritos obsessores sobre um grupo mediúnico, procurando dissolvê-lo. Ali destaco as artimanhas usadas pelas sombras, explorando nossas fraquezas para nos afastar da atividade espírita, o que, infelizmente, tem acontecido com muitos companheiros descuidados.


EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo? 

Richard - Entendo que o “Brasil, Coração do mundo, Pátria do Evangelho” é um projeto do mundo espiritual para nosso país, não um decreto. Assim, depende de nós. Infelizmente, a meu ver, estamos fracassando, como outras nações fracassaram no passado, deixando de cumprir grandiosos projetos da espiritualidade, como destaca Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz”. Praza aos Céus possa o Espiritismo ganhar corpo e influenciar decisivamente a mentalidade nosso povo,  ajudando-nos a superar milenárias tendências ao vício, à corrupção, à indolência.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto?

Richard - Gosto de um pensamento de Albert Schweitzer:  A quem me pergunta se sou pessimista ou otimista, respondo que o meu conhecimento é de pessimista, mas a minha vontade e a minha esperança são de otimista”. A visão do mundo atual é uma lástima – guerras, drogas, guerrilhas, violência… Parece que vivemos um campeonato de maldades, com as pessoas disputando quem consegue chocar mais a opinião pública. Entendo, entretanto, que vivemos uma época de grandes transições. O mal estertora, agita-se, confunde, estendendo suas garras, mas o futuro nos acena com um mundo de regeneração. Não importa quando virá. Podemos estar nele desde agora, exercitando o esforço do bem e a confiança irrestrita em Deus.

 *       *       *

O projeto EspiritualMente agradece a Richard Simonetti pela colaboração e gentileza em conceder esta bela entrevista! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sugestões, críticas ou elogios! Fique à vontade!