sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Entrevista

O convidado desta semana é

Carlos Pereira

Pernambucano, Mestre em Gestão de Políticas Públicas, ex-presidente da Associação dos Divulgadores do Espiritismo em Pernambuco. É expositor, autor e médium psicógrafo de diversos livros espíritas. Também é coordenador geral do Grupo Espírita Esperança, localizado no município de Camaragibe – PE.


Principais livros publicados:





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EspiritualMente - Como surgiu em sua vida o Espiritismo e a mediunidade?

Carlos - Nasci numa família espírita e minha identificação foi imediata. Já aos cinco anos de idade fazia preces no Centro Espírita Trabalhadores da Última Hora, em Caixa D' Água, Olinda. A mediunidade, porém, somente veio aparecer quando completei 30 anos.


EspiritualMente - Você já foi presidente da Associação dos Divulgadores do Espiritismo de Pernambuco (ADE-PE). Como você avalia o trabalho de divulgação da Doutrina realizada pelo movimento espírita nos dias atuais?

Carlos - Avançou muito, mas poderia ser melhor. Ainda ocupamos timidamente a mídia. Ainda nos comunicamos externamente como fosse um prolongamento da casa espírita. Em relação aos jovens mostramos certo despreparo para renovar nossa linguagem com eles. Temos uma doutrina excepcional, mas somos tímidos em lançá-la para o mundo.


EspiritualMente - Você é autor do livro "Realidade Paralela - Uma leitura espiritual dos fatos". Este mesmo tema tornou-se um programa espírita semanal de uma Rádio em Pernambuco. Como surgiu essa ideia? É necessário retirar a Doutrina das instituições espíritas e leva-la a realidade do cotidiano?

Carlos - Exatamente! Esta era a proposta de Allan Kardec. Contextualizar o pensamento espírita, mostrar o lado espiritual da vida. Possuímos um conteúdo formidável para ajudar a transformar a sociedade, pois consegue mostrar a lógica subterrânea da realidade.


EspiritualMente - Sem dúvida, o gênero literário espírita é um dos maiores do mercado editorial brasileiro. Qual sua opinião a respeito da atual literatura espírita? Existe mais quantidade ou qualidade?

Carlos - Há literatura para todos os gostos e níveis de maturidade em relação ao pensamento espírita, isto tem um lado positivo para o iniciante, o curioso, o simpatizante. Agora, quando se chega à casa espírita então devemos didaticamente municiar as pessoas dos fundamentos espíritas, o que poucas casas se preocupam. Há, entretanto, muita informação espírita fora daquilo que se conhece como literatura espírita oficial. Os espíritos não esperam apenas pelo Espiritismo para promover a espiritualização do planeta. Ainda bem, pois iria demorar demais.


EspiritualMente - Você já publicou vários livros psicografados por Dom Hélder Câmara e, recentemente, "Cartas de um Imortal" por Joaquim Nabuco, duas personalidades bastante estudadas no meio religioso e acadêmico, respectivamente. Algum estudioso já questionou essas obras? Como você lida com as críticas?

Carlos -  Até hoje não recebi qualquer crítica em relação aos livros, nem de espíritas, nem de outros segmentos. Sei que elas existem, mas são silenciosas, então não posso levá-las em consideração. Os livros de Dom Hélder Câmara e o de Joaquim Nabuco não têm como foco os espíritas, pelo contrário, são direcionados para o público em geral. Gostaria de receber críticas construtivas, mas fundamentadas. Dizer que não acredita, desmerecer sem estudá-las não vale. Qualquer livro deve receber críticas, o de origem mediúnica não pode ser diferente.


EspiritualMente - A grande maioria das pessoas que já participou das suas palestras, exposições e seminários, consideram as mesmas extremamente agradáveis, descontraídas e esclarecedoras. Podemos dizer que esses são os atributos fundamentais para uma boa apresentação espírita?

Carlos - O aprendizado, seja ele qual for, deve ocorrer em clima de descontração. Está provado pelos especialistas da neuropsicologia e da andragogia que os conteúdos devem ser trabalhados de maneira participativa, contextualizada, leve. É necessário ativar todos os sentidos de aprendizagem e usar os recursos didáticos apropriados. Quanto ao conteúdo, gosto do raciocínio de Platão que disse certa vez que devemos, num processo de aprendizado, sair maiores do que entramos. Temos que provocar a reflexão pelo pensamento e pelo sentimento no ambiente espírita.


EspiritualMente - A Doutrina Espírita está cumprindo os seus objetivos na sociedade brasileira ou ainda falta alguma coisa? Como você vê o futuro do Espiritismo?

Carlos - Já respondi que poderíamos fazer mais, bem mais. Precisamos ousar, inovar, agregar valor. Os ícones da divulgação espírita fazem a sua parte, porém num mundo da tecnologia da informação, da sociedade do conhecimento, de processamento digital, devemos arejar o pensamento espírita. Algo, no entanto, deve ser perseguido sempre: sermos cartas vivas do Evangelho. A coerência é a melhor forma de divulgação que existe na sociedade, em qualquer época. Por esta razão é que o Cristo vive até hoje.


EspiritualMente - Quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil e do mundo? Você acha que o nosso país está no rumo certo?

Carlos - Em O Livro dos Espíritos, os espíritos responderam a Kardec que, às vezes, é necessário se  chegar ao caos para se dar um basta e começar um processo de renovação geral. Acho que está acontecendo isso com o nosso País, mas a mudança não ocorrerá sem dores. Tem que gerar aprendizado, não vai cair do céu. Temos, entretanto, um conjunto de espíritos com o DNA do mundo de regeneração. Estamos no ápice da transição. Tenhamos paciência e façamos a nossa parte para um Brasil melhor e um mundo renovado.


EspiritualMente - O que você tem mais aprendido no decorrer de todos esses anos de trabalho ativo no movimento espírita? Quais são os maiores desafios?

Carlos - O centro de todas as nossas movimentações deve ser a aprendizagem do amor, a vivência do amor. Isto é que quer dizer, na essência, o cristianismo redivivo. O termômetro de progresso de qualquer casa espírita e de nosso movimento deve ser a nossa capacidade de amar. Não foi Jesus que disse que seus reais seguidores seriam identificados por amarem em demasia?


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os colaboradores, seguidores e visitantes do nosso projeto? 

Carlos - Lembrar a mesma recomendação do Espírito Verdade: "Espíritas, amai-vos e instruí-vos". Simultaneamente, aprender a amar e buscar a sabedoria uns com os outros. Esta é a grande síntese de espiritualização do ser humano.

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O projeto EspiritualMente agradece a Carlos Pereira pela colaboração e gentileza em conceder esta bela entrevista!


Um comentário:

  1. Tive a grata satisfação de assistir a uma palestra de Carlos Pereira, aqui, em Caruaru-PE. E de fato suas apresentações são muito agradáveis. Possui uma didática exemplar e é um grande contador de histórias. Vale a pena assistir.

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