terça-feira, 29 de agosto de 2017

Entrevista: Professor Gláucio Cardoso


Professor Gláucio Cardoso


Nascido em 1976 em Mesquita, município da Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Mestre em Literatura Brasileira pela UERJ. Poeta, associado da Associação Brasileira de Artistas Espíritas (ABRARTE) e membro da Companhia Leopoldo Machado de Arte Espírita (CIALEMARTE).

Atualmente é o editor da revista Garimpo - Mensário de Poesia e Espiritualidade. Também é trabalhador do Centro Espírita Estudantes da Verdade (Mesquita-RJ).



Livros publicados:

- Enquanto Clara dormia (Poesia);
- Sopros & outros poemas (Poesia);
- Em defesa de um Teatro Espírita (Ensaio);
- La commedia è finita (Poesia).


 

Contato: http://glauciocardoso.blogspot.com.br/


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EspiritualMente - Como você conheceu o Espiritismo? Qual a importância desta Doutrina em sua vida?

Gláucio - Conheci o Espiritismo ainda na infância, pois meus pais eram espíritas de longa data, assim como meus avós maternos, tendo me engajado definitivamente na Doutrina em 1988, quando tinha 11 anos. Ela me ajuda a entender porque estou aqui, mostra-me um caminho diferente e é graças a ela que tenho tido a chance de pensar e repensar minha maneira de ser e estar no mundo.


EspiritualMente - Recentemente, completou 01 ano da publicação do Garimpo, uma revista voltada a arte e a poesia espírita. Como surgiu a ideia para a criação desse projeto?

Gláucio - Já fazia algum tempo que vinha pensando em promover ações voltadas para a divulgação da poesia espírita, mas não conseguia atinar exatamente com o que fazer. Foi aí que, ao voltar do 2º Encontro Nacional de Artistas Espíritas (ENARTE), promovido pela ABRARTE em São Paulo em 2016, comecei a delinear um informativo que pusesse em evidência essa poesia, englobando tanto os poemas mediúnicos quanto os poemas dos espíritas. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, após 06 horas de viagem, já tinha o boletim praticamente todo rascunhado.


EspiritualMente - Após mais de 01 ano de publicação, que balanço você faz sobre a revista e a aceitação do público com esta temática?

Gláucio - Percebo uma aceitação muito grande por parte do público. Ao longo desse primeiro ano de existência, recebemos muitas mensagens de incentivo e muitos poetas enviaram suas contribuições. Sabemos que há pessoas que por iniciativa própria imprime as edições do Garimpo (que é totalmente eletrônico) e as disponibilizam pela leitura em suas casas espíritas. Isso me leva a arriscar dizer que o Garimpo veio preencher uma lacuna que nem mesmo sabíamos que existia.


EspiritualMente - Muita gente confunde uma poesia espírita com uma mensagem poética de um espírito psicografada por um médium. Outros acham que todo texto poético advém puramente de uma inspiração espiritual. O que você poderia falar a respeito dessas opiniões? O que há de verdadeiro e o que há de equívoco nessas ideias?

Gláucio - Na Revista Espírita, Allan Kardec por diversas vezes publicou poemas tanto obtidos por via mediúnica quanto de adeptos do Espiritismo. A estas duas manifestações poéticas, o codificador deu o nome de Poesia Espírita, o que me levou a concluir que, para ele, este nome deveria abarcar os poemas cujo conteúdo e compromisso com a Doutrina fossem notórios. Recomendo o seminário "Bases Kardequianas para o Estudo da Poesia Espírita" disponível em:


Se toda poesia advém de inspiração espiritual? Se levarmos em conta o que relata André Luiz em "Nos domínios da mediunidade", todas as atividades humanas advém da influência espiritual, afinal o Espírito Verdade já afirmara que "são eles quem vos dirigem". Isso não tira o mérito nem o esforço do poeta que passa longas horas debruçado sobre uma ideia, sobre uma folha em branco, transbordando o que lhe vai na alma para o papel. O assunto me fascina, mas não o levarei muito adiante nestas linhas para não alongar por demais a resposta.


EspiritualMente - Como você vê o trabalho do movimento e das casas espíritas em relação a arte?

Gláucio - Está caminhando, posso até dizer que está bem melhor do que na época em que comecei a trabalhar com arte espírita. Hoje já temos a ABRARTE e as secretarias de arte em diversas federativas, muitas casas espíritas se abrem para as atividades artísticas de uma forma nunca antes vista. Entretanto, ainda vemos que o desconhecimento leva ao preconceito contra determinadas linguagens artísticas, como a dança espírita, e que já existe até mesmo um modismo de se fazer arte que ainda não foi devidamente acompanhado pelo desejo de qualificar essa arte. Mas no geral, é um panorama muito animador.


EspiritualMente - Como professor, qual sua análise sobre o atual momento da educação no Brasil?

Gláucio - É um momento difícil. Vemos que as grandes decisões a respeito dos rumos da educação atendem a interesses de ordem política, mas não pedagógica. Pior: os professores, que são os verdadeiros especialistas em educação, tem sido colocados de fora das discussões a respeito dos rumos da escola brasileira.


EspiritualMente - Como as pessoas interessadas na arte e na poesia espírita podem adquirir ou assinar a Revista Garimpo?

Gláucio - Quem quiser pode receber o Garimpo diretamente em seu e-mail, basta escrever para cialeopoldomachado@gmail.com e solicitar sua assinatura. É totalmente gratuito e distribuído todo segundo sábado de cada mês. Também pode curtir a página do facebook: www.facebook.com/GarimpoPoesia .


EspiritualMente - Que mensagem você deixa aos colaboradores, seguidores e visitantes do nosso blog?

Gláucio - Mantenham-se sempre abertos para a beleza e o conhecimento. A Doutrina Espírita é eminentemente libertária, e não deve ser contaminada por nossos interesses pessoais, muito menos por nossas visões limitadas. Vamos divulga-la em atos e exemplos. Como dizia Leopoldo Machado: O ESPIRITISMO É UMA DOUTRINA DE VIVOS PARA VIVOS!


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O EspiritualMente agradece ao Professor Gláucio Cardoso em conceder esta bela e instrutiva entrevista!




terça-feira, 22 de agosto de 2017

22ª FELEAL - Feira do Livro Espírita em Abreu e Lima/PE


A Feira do Livro Espírita em Abreu e Lima/PE (FELEAL) tem por objetivo a divulgação da Doutrina Espírita através do incentivo à leitura, na facilidade em adquirir livros espíritas a baixo custo, a partir de R$ 1,00. 

Em sua maioria, são livros usados, porém a Feira conta também com livros novos, revistas e até mesmo audiobooks.

A primeira FELEAL ocorreu em 1996 com apenas 7 instituições espíritas. Nesta 22ª edição, a Feira conta com 40 instituições participantes.

Segundo Carlos Cardoso, coordenador da FELEAL, a quantidade de livros vendidos na última edição em 2016 foi em torno de 1.900 obras. Para um evento que vai das 08 às 14h, corresponde a um pouco mais de 300 livros comercializados por hora.

Para muitas instituições, a FELEAL é uma oportunidade de se arrecadar recursos para a manutenção da estrutura física das casas espíritas. Além disso, é uma forma simples de se promover o desapego material, onde as instituições fazem campanhas internas entre seus frequentadores durante o ano inteiro para a doação de livros.

A FELEAL também já promoveu o surgimento e implantação de várias bibliotecas nas instituições espíritas devido a doações internas de livros no decorrer do evento, como também ao baixo custo de aquisição de obras.

Mas nem só de livros vive a FELEAL. O evento conta também com uma praça de alimentação e outra de artesanato, um espaço para crianças (Felealzinha), sala para pintura mediúnica e um auditório para palestras e apresentações artísticas e musicais.

A FELEAL também pede aos participantes e visitantes, embora não seja obrigatória, a doação de 1kg de alimento não perecível. Os mantimentos arrecadados são doados a uma creche ou asilo. Neste ano será para a Creche Luara, localizada no bairro do Arruda em Recife/PE.