segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Que saudade das boas conversas!


Texto de Almir Paes no Blog EspiritualMente

Uma coisa que eu gosto muito de fazer é conversar, trocar ideias, ouvir, aprender, ensinar...

Já conversei com muita gente em minha vida. De Reitores de Universidades a garis de rua.

Com eles aprendi lições bem diferentes. Lições mais intelectivas, lições de sabedoria, de sentimento.

É preciso ser letrado para ter um boa conversa? Claro que não!

Para se falar sobre algo é preciso só estar bem informado sobre o assunto e ter um pouco de sensibilidade. Não é preciso intelectualismo, nem retóricas eternas.

As informações são coletadas de diversas formas. Existem aqueles que leem em mídia impressa. Outros em mídia digital. Os mais simples e menos abastados financeiramente ouvem as informações na maior mídia popular do mundo: o rádio de pilha. Todos têm a possibilidade de estarem bem informados. Todos estão aptos para executar um boa conversa. É só querer.

Um boa conversa alivia as tensões – na troca mútua de informações . Aumenta o nosso conhecimento técnico e de vida. A mais importante função de uma conversa é estreitar, ainda mais, laços de amizade.

Lembrei das conversas que tinha com o Thompson. Ele era um simples vigilante da Engefrio, uma loja de produtos de refrigeração em Recife, mas era muito bem informado, sensível e tinha uma percepção de mundo e de vida bem diferente da minha.

Os ambulantes com quem conversei já tem outra visão de mundo.

Quando fui presidente da Associação de Moradores do Bairro do Prado, conversava muito com aquela gente que morava nos chamados correios de quarto. Elas tem um vida materialmente dura, difícil, mas passam uma felicidade para a gente que dá até inveja.

E aquelas pessoas de interior que nós mantemos boas conversas? Eles são pura sabedoria. Elas têm uma conversa simples, ingênua, sábia.

Quando fiz parte do Conselho Regional de Economia – Corecon/PE - também conversei bastante com o povo de lá. Eram, na sua maioria, intelectuais sem sentimentos e sem conteúdo pragmático de vida.

As conversas de hoje são digitais. Nada contra a tecnologia, pois uso-a muito.

Tenho saudade das boas conversas, dos bons papos, das boas risadas, do olho no olho.

Ontem fui a uma festa de aniversário de criança e não pude conversar com ninguém, pois a música estava muito alta. A alternativa que eu tinha era gritar e mesmo assim não ter a certeza de ser ouvido ou ficar na mesa olhando para os lados ou para cima.

Tenho saudades das reuniões que fazíamos na casa dos amigos. Chegávamos lá de surpresa e cada amigo levava um petisco ou uma bebida. Alguém perguntava: - É aniversário de alguém? Não. Estamos brindando apenas o estreitamento da nossa amizade. Conversávamos até tarde e depois cada um ia para sua casa.

Tenho saudades das conversas que mantinha com papai.

Hoje, as pessoas estão sempre apressadas. Até no final de semana, que geralmente elas não tem trabalho material, conversam com a gente olhando para o relógio e demarcando o tempo para encerrar o papo.

É muito estranho que no mundo de tanta tecnologia, de tantos tablets, notebooks, celulares, as pessoas tem cada vez menos “tempo para conversar”. Onde estão as nossas conversas?

Será que elas estão perdidas em outros tempos?

Eu continuo adorando conversar, bater um bom papo, mas está muito difícil achar com quem.

Talvez seja por isso que o ser humano, mesmo cercado de tanta tecnologia, está sofrendo do grande mal do século XXI: a Solidão!

Vamos, pelo menos, pensar em tudo isso!

O Cronista da Alma no Blog EspiritualMente

Almir Paes
O Cronista da Alma


3 comentários:

  1. Olá Almir!
    Me identifiquei muito com o seu texto! Sim...tb sinto saudades desses momentos...e olha que moro no interior heim!!! Mas aqui tb as pessoas ficam nos celulares e computadores. É uma pena! Mais tecnologia e menos tempo para o contato, a boa conversa, a valorização da amizade...Infelismente, assim caminha a humanidade.
    Abraços fraternos.

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    1. Boa noite Maria Regina. Quero, em primeiro lugar, agradecer a você por ler minha crônica. As pessoas, geralmente, náo têm o hábito da leitura. Eles acham que, de duas a três linhas, é muita coisa para ler. Nas minhas crônicas eu busco viajar com o leitor no mesmo vagão do trem da literatura, da vida. Procuro instigar a reflexão, o pulsar da vida, o sonho, o pensamento. Você me deu o prazer e a alegria de , além de ler, comentar meu texto. Isso é tudo que o escritor gosta e quer: ser lido, comentado, viajar com o leitor. A Prosa, a Crônica, o Poema, a Literatura de um modo geral tem uma importante missão : ser um elemento catalisador da inteligência (cognição), da vontade, do sentimento. Fico triste em saber que no interior também está frio,mas não é a frieza climática, mas a frieza sentimental, emocional. Em que cidade do interior você mora? Agradeço, mais uma vez, a honra e a alegria de você ser uma de minhas leitoras. Um abraço fraterno de Almir Paes.

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  2. Sinto falta tbm de uma Boa conversa q tínhamos no portão sem se preocupar com o tempo... éramos mais alegres e Unidos. Iam chegando um por um pra participar dos assuntos...Q saudade!!

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