quarta-feira, 25 de abril de 2018

A triste realidade no movimento espírita

Recentemente, um grande amigo nos falou que ganhar dinheiro com blog espírita não era fácil! 

Essa afirmação aguçou bastante a nossa reflexão. Decidimos, então, escrever algumas linhas a respeito desse assunto.

Artigo de Manoel O. Guimarães Jr


Quando criamos o EspiritualMente - Reflexões à Luz do Espiritismo nossa intenção não era ganhar dinheiro com o blog. Confessamos que, no decorrer desses 15 meses de funcionamento, em alguns períodos, tentamos sensibilizar algumas empresas no sentido de se tornarem apoiadoras/patrocinadoras do nosso projeto. Mas, infelizmente, não obtivemos êxito!

Na realidade, essa procura por um apoio/patrocínio não foi visando lucros financeiros que, aliás, se tivesse sido concretizado, seria de um valor simbólico, o suficiente para uma ajuda de custo referente a manutenção da anuidade do domínio próprio (.com.br) e, quem sabe, ampliar os trabalhos do projeto, melhorando a divulgação, fazendo promoções etc.

Todavia, o que mais nos deixa decepcionados não é a ausência de apoio e patrocínio ao nosso blog.

O que mais nos deixa tristes é a falta de consideração, de reconhecimento e de valorização da maioria do público espírita ao nosso trabalho.

Para se ter uma ideia, já convidamos dezenas de pessoas para uma simples entrevista. Considero uma entrevista uma coisa tão bacana, uma homenagem, uma forma de prestigiar e divulgar o trabalho daquele convidado. É impressionante como essas pessoas fugiram a este convite. E o que é pior, fugiram de uma maneira totalmente deselegante, sem dar nenhuma desculpa ou satisfação. Nem sequer agradeceram ao convite! Lamentável!

Esta triste realidade não acontece apenas no mundo virtual, em convites para entrevistas. No mundo real acontece outras coisas também lamentáveis!

Observamos em alguns centros espíritas que, quando o palestrante é da casa ou de algum centro vizinho, o público é bem pequeno. Quando o palestrante convidado é "famoso", a casa fica repleta de frequentadores. Até os "trabalhadores" sumidos do centro aparecem para prestigiar o renomado expositor!

Há alguns anos atrás, sem que a gente soubesse, uma querida irmã, que conhecia e acompanhava o nosso trabalho, indicou o nosso nome a uma instituição para a realização de uma palestra. A pessoa responsável pela escala mensal dos palestrantes disse que para fazer exposição naquele centro era preciso conhecer o "currículo", saber as habilidades do palestrante na execução dos temas, em quantas e quais eram as casas que ele já havia realizado palestras etc. etc. Parecia até uma seleção para concorrer a uma vaga de emprego!

Infelizmente, é uma triste realidade!

Temos nas mãos uma doutrina fantástica, um acervo riquíssimo de conhecimentos para a vida material e espiritual mas, infelizmente, ainda não conseguimos assimilar e praticar uma grande parte desses postulados. E muitas vezes em coisas tão simples e banais do cotidiano. Muitos de nós, espíritas, ainda alimentamos o preconceito conosco mesmos, não valorizando aquilo que está ao nosso redor.

Em parte, lamentamos essa realidade no meio espírita. Mas, por outro lado, isso nos motiva a continuar lutando para mudar essa tendência. Esse panorama foi um dos motivos para a criação do EspiritualMente. Queríamos quebrar paradigmas, democratizar o espaço para todos os espíritas, daquele que faz faxina em um centro até o mais renomado palestrante. Divulgamos e prestigiamos o trabalho e o talento de pessoas anônimas, desconhecidas. Até mesmo para aquelas pessoas que dizem não ser espíritas, mas desenvolvem trabalhos e atividades de cunho espiritual, procuramos dar a devida atenção e espaço.

Nossa intenção, neste artigo, não foi criticar o movimento espírita, nem tampouco gerar polêmicas ou debates calorosos. De acordo com o nosso slogan, queríamos apenas lançar uma reflexão à luz do Espiritismo para todos os espíritas!

Paz e luz para todos(as)!



Manoel O. Guimarães Jr.
Administrador - EspiritualMente


6 comentários:

  1. Ola amigos: Não precisaria eu dizer nada, pois disseste tudo. De fato notei isto, inclusive alguns trabalhadores da Casa que frequentávamos nos afastamos. As Casas estão elitizadas, parecem Educandários sofisticados, as palestras simples foram abolidas, tem de ser mídia, o serviço de passes é padrão, inclusive aplicam pelas costas, a mediunidade não tem prioridade e o Presidente da Casa é senhor supremo, já existem cânticos nas Casas e até sacudir de corpo com bater de palmas. Coisas básicas como água fluidificada, fica num bebedouro gelado. Ora sobre o serviço mediúnico, se nossa religião não tiver este trabalho para atender os desencarnados, qual religião o fará? Sabemos que isso faz parte de reencarnantes que tem por objetivo implantar um novo evangelho que ocupará alguns conteúdos do Espiritismo. Em síntese querem modificar as Casas para implantar esse novo sistema. Sinceramente continuo sendo Espírita a moda antiga e mantemos um grupo nos moldes de Kardec e com a simplicidade de Chico Xavier. É lamentável que isso esteja acontecendo. Abraço fraterno

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  2. O movimento espírita é parte da sociedade atual. Contextualizando, como esperar algo diferente?

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  3. Pois meu caro Manoel, aqui pelo Sul do Brasil também tivemos e ainda temos muitas dificuldades. Estou com 65 anos e estudo a Doutrina há cerca de 45 anos. Participei da fundação de um Centro há 16 anos. Fui coordenador mediúnico e palestrante, contudo, agora que outras pessoas assumiram a direção do Centro, não me convidam mais para fazer palestras. As pessoas pedem para dirigentes me convidarem para fazer palestras em seus Centros, porém, muitos negam, talvez porque não seja famoso.
    Como não havia nenhum programa espírita em rádio aqui na Grande Porto Alegre, fizemos um grande esforço para superarmos nossas deficiências e iniciamos, numa rádio comercial, o "Programa Espírita" aos sábados pela manhã. Pesquisamos e descobrimos as maravilhosas músicas espíritas e, assim misturávamos temas espíritas com as músicas espíritas do Cancioneiro, da Marielza, do Arte Nascente, etc. Escrevemos uma justificativa para demonstrar a importância da divulgação da Doutrina Espírita através do rádio e procuramos muitas pessoas e empresários que muitos afirmavam serem espíritas, contudo, nunca tiveram tempo para nos dar uma ajuda. Convidamos a presidente da FERGS para participar do nosso programa, mas ela nunca teve tempo. Assim, como o custo era e é muito alto para alugarmos espaço numa emissora comercial, decidimos encerrar aquela atividade e criamos a Rádio Mundo Espirita, uma webradio exclusivamente espírita, com músicas espíritas e todos os audiobooks de Allan Kardec, espalhados em pequenos blocos pela programação 24 horas. Distribuíamos panfletos para divulgarmos a Rádio Mundo Espírita na Livraria da FERGS e, lá pelas tantas fomos proibidos, porque alegaram alguns zelosos funcionários falta de autorização da diretoria. E, já faz alguns anos que estamos esperando pela autorização para distribuirmos alguns panfletos na livraria da Federação Espírita. Registre-se que foram as mesmas pessoas da FERGS que proibiram a divulgação da Rádio Mundo Espírita que assumiram a direção do Centro Espírita fundado por nós. Apesar dos pesares, do pouco caso que nossos confrades deram e dão a esta iniciativa, para divulgar a Doutrina, nossa webradio exclusivamente espírita tem ouvintes em várias partes do nosso planeta. Lamentavelmente, continuamos sem ter nenhum programa espírita em rádio AM ou FM aqui na Grande Porto Alegre até hoje. E este é o nosso sonho, ou seja, de poder dispor de um canal de comunicação radiofônico, haja vista que muitas pessoas ouvem rádio. Embora as pessoas não tenham o hábito de ouvir rádio pela internet, a www.radiomundoespirita.com está aí à disposição daqueles mais privilegiados, que tem acesso à internet, como também dos mais interessados. Abraço.

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  4. Bem pertinentes as palavras de Manoel. O Movimento Espirita é elitizado e intelectualizado. Geralmente, não valorizam os espaços de mídia que possuem. Conheço programas de radio espirita que fecharam por falta de patrocínio e de apoio dos próprios espíritas.Um grande exemplo é o Espiritualmente, um blog muito criativo, espaço de primeira qualidade para todos , passa também por este momento de desatenção e desleixo de patrocinadores e do movimento espírita. O movimento espírita tem poucos espaços de mídia e os que tem não valoriza. Falta ao movimento sair dessa bolha irreal de felicidade e adentrar no mundo dos humanos, não com propostas mundanas mas propostas espíritas adequadas a realidade social. É preciso interagir à ciência espírita à ciência humana. Dessa forma se dará um salto de qualidade social e comportamental. É preciso sair um pouco das quatro paredes dos centros e vivenciar uma realidade objetiva social. É preciso deixar um pouco as aguas fluidificadas, os passes e usar um pouco de empatia com as pesdoas, tentando compreendelas e pondó - se nos seus lugares. As palestras se tornaram antes de mais nada um grande ensaio de auto ajuda . Foram esquecidos ou negligenciados os fundamentos da doutrina. Os palestrantes midiáticos se tornarsm quase exclusivos, com agendas sempre cheias. Os palestrantes precisam ser de fora e ter um currículo invejável. É preciso reciclar o movimento espirita . É sair dessa igrejificacao que ele se tornou. É preciso priorizar as pessoas e humanizar o movimento.

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  5. Esse comentário acima foi de Almir Paes - trabalhador do Educandário Espirita Joana Darc - Recife - Pe.

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  6. Prezado Irmão, muito feliz seu artigo. A realidade de muitas Casas e essa mesmo. Também ando bastante no movimento Espírita e onde posso vou combatendo esse esclusivismo de Palestrantes festejados e incentivando mais Educação Espírita. Paz e Luz

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Agradecemos pelo comentário!