sexta-feira, 20 de abril de 2018

Como e por que escrever?

Hoje pela manhã, eu estava  conversando com Eliel, pai de uma criança que faz terapia com a minha filha.

Ele me perguntou  como eu interagia praticidade, erudição e popularidade nas minhas crônicas. Fiquei, ao mesmo tempo, alegre e perplexo. Alegre pelo fato dele ser meu leitor, e perplexo por ele conhecer e comentar o sentido de algumas frases que já escrevi. 

Contei a ele um pouco da minha história de vida, minhas experiências e vivências sindicais, comunitárias, a paixão pela leitura, para ele entender melhor o processo de criação do conteúdo diversificado das minhas crônicas.

Chegando em casa, a conversa com Eliel não me saía da cabeça e daí surgiu mais essa crônica:

Como e por que escrever?



Eu gosto de escrever.

Escrevo crônicas, prosas, poemas...

Escrever não é só técnica, mas sobretudo experiência, vivência, convivência, sensibilidade.

Escrever é aprender e apreender com a vida. É a arte de descobrir o imperceptível, desvendar as lentes da alma e da natureza.

Eu já fui empregado, empregador, autônomo, sindicalista, líder comunitário, editor de jornal de bairro. Aprendi e aprendo todos os dias com os usos e costumes da população. Por isso, fui presidente da Associação de Moradores do bairro do Prado, no Recife, como também editor e redator do jornal deste bairro, entre outras experiências populares.

Entrei em muitas vielas, "correios de quarto", favelas... sempre observando e aprendendo com as pessoas.

Conheci essa gente sofrida, essa gente humilde, essa gente incompreendida, essa gente sábia.

Os livros que tenho lido e os que possuo em minha biblioteca, tem me ajudado a construir essa ponte entre a sabedoria das pessoas e a palavra escrita, a palavra do mundo. Um bom livro, uma boa crônica, um bom poema, é a porta que dá acesso aos nossos sentimentos presos, amordaçados, por uma sociedade imediatista, acelerada.

Todo escritor deve fazer uma boa leitura da sociedade adjacente, da sociedade contemporânea. A leitura do mundo e da vida deveria ser sempre a meta de quem escreve. De outra forma, o livro, a crônica, não passam de um amontoado de palavras desgastadas, sem nenhum significado emocional.

Escrever é colorir as lentes da alma, é destravar as portas do coração.

Almir Paes
O Cronista da Alma



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