segunda-feira, 21 de maio de 2018

Entrevista com a palestrante espírita Isabelle Figueirôa

Isabelle Sarmento no blog EspiritualMente
Isabelle Figueirôa

Isabelle Sarmento Figueirôa é formada em Jornalismo e Pedagogia. Trabalhou por 10 anos no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Há 03 anos atua como Professora da Educação Infantil e Ensino Fundamental nas redes pública e particular do município de Jaboatão dos Guararapes/PE. 

É mãe de Heitor de 05 anos e à espera de Raul.

É trabalhadora voluntária do Lar Espírita Chico Xavier, localizado no bairro de Candeias no supracitado município.

Entrevista com Isabelle Sarmento no blog EspiritualMente
Trabalhadores do Lar Espírita Chico Xavier.
Isabelle à frente (lado direito e com as mãos no joelho)


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EspiritualMente - Como você conheceu o Espiritismo? Qual a importância desta Doutrina em sua vida?

Isabelle - Sou espírita desde o ventre da minha mãe. Ela, junto com vovó Edna, frequentavam e eram trabalhadoras do lar Espírita Chico Xavier. Aos três anos, iniciei nas aulas de educação espírita infanto-juvenil, passando por todas as turmas, até adentrar à querida Mocidade Tio Chico. Não consigo imaginar minha vida sem a Doutrina Espírita, pois é ela que me acompanha, esclarece e consola desde os momentos mais tenros da minha atual existência.


EspiritualMente - Como expositora e palestrante, qual sua avaliação sobre o trabalho e os meios de divulgação da Doutrina realizada pelo movimento espírita nos dias atuais?

Isabelle - Em tempos de redes sociais, o Espiritismo no Brasil tem se aproveitado dessas ferramentas e acho válido: tirinhas, vídeos e postagens tornam os ensinamentos espíritas mais leves e próximo das pessoas. O grande escolho disso - e do movimento espírita como um todo - é o sutil, perigoso e danoso afastamento da base kardequiana. Allan Kardec não foi simplesmente o codificador do Espiritismo, ele é co-autor da obra, dedicou a vida para lançar essa Doutrina, analisando, pesquisando, comparando, refutando informações para que pudéssemos desfrutar de uma obra completa sob a tutela dos Espíritos Superiores.


EspiritualMente - O movimento espírita está cumprindo os seus objetivos na sociedade brasileira ou falta ainda alguma coisa?

Isabelle - Confesso que nunca fui muito engajada com o movimento espírita como um todo. Entendo a importância da unificação e união dos espíritas, mas desde a época da mocidade não me identificava com os encontros e seminários destinados aos jovens. Talvez porque o centro o qual frequento não seja vinculado a nenhuma federação, talvez porque a disciplina sempre foi nosso carro-chefe, talvez porque entenda que o movimento espírita se faça no nosso dia a dia, pelas nossas atitudes e exemplos... O que percebo é uma divisão desnecessária entre os espíritas, pois que é atrelada a questões de âmbito social e político (conservadores e progressistas, por exemplo). Penso que devemos nos preocupar muito mais com o que nos une do que o contrário.


EspiritualMente - Atualmente, observamos que, com exceção das Federações e das instituições de grande porte, a maioria dos centros espíritas sofre com o esvaziamento do público frequentador e com a carência de trabalhadores. Se os postulados espíritas como a imortalidade da alma, reencarnação, mediunidade etc., estão tendo uma melhor aceitação nos dias de hoje em nossa sociedade, como explicar essa ausência de público e de frequentadores?

Isabelle - O Espiritismo é uma doutrina comprometida com a transformação moral. Não é todo mundo que está preparada para abrir mão de uma situação confortável de vícios e prazeres para se dedicar ao próximo e à reforma íntima. É por isso que Jesus nos ensinou a Parábola do Semeador e, posteriormente, Kardec nos brindou com as categorias de espíritas: 1. Os que creem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que não lhes deduzem nenhuma consequência moral; 2. Os que veem o lado moral, mas o aplicam aos outros e não a si próprios; 3. Os que aceitam para si mesmos todas as consequências da Doutrina, e que praticam ou se esforçam por praticar a sua moral. A Mocidade Tio Chico já chegou a ter quase 60 voluntários, tínhamos mais de 10 turminhas de Evangelização e fazíamos um trabalho grandioso em qualidade e quantidade. Houve festas de Dia das Crianças que reunimos mais de 300 pessoas. Hoje em dia, trabalhamos com apenas duas turmas e a quantidade de crianças e adolescentes está bem reduzida. Os trabalhadores se revezam em escala e muitos acabam sobrecarregados.


EspiritualMente - Todo trabalhador espírita, principalmente aqueles que atuam no campo da divulgação, já vivenciou um fato curioso, inusitado e cheio de reflexão no desempenho da tarefa em questão. Você poderia nos contar alguma história?

Isabelle - Aos 15 anos, subi pela primeira vez numa tribuna espírita para narrar um conto e tecer alguns comentários. Lembro que, de costas para o público e de frente para o dirigente da mesa - que na época era o coordenador de infância -, chorei e disse que não ia conseguir. Ele, porém, incentivou-me no estilo Emmanuel, dizendo para eu me virar para o público e começar a falar. Engoli o choro e obedeci a ordem. Outro fato de que me recordo aconteceu há uns 10 anos. Fui convidada para dar uma palestra em outro centro. Ao final da minha explanação bateram palmas. Eu fiquei sem reação, porque sempre aprendi que tribuna espírita é lugar "santo" e deve ser respeitado, palmas portanto não convinham. Então eu disse ao público que as palmas deveriam ser para Jesus. Qual minha surpresa: as palmas não só não pararam como aumentaram de intensidade.


EspiritualMente - Em meio a tantas crises, escândalos e crescimento da violência, quais suas perspectivas sobre a atualidade e o futuro do Brasil? Estamos no rumo certo?

Isabelle - A melhor analogia para isso é o nascimento natural de uma criança. A mãe sente dores imensas, contrações quase insuportáveis, faz um esforço hercúleo, sangra, chora, tem o corpo dilacerado. Esta cena é quase de terror se todos não soubéssemos que dali nascerá um bebê. A Doutrina Espírita nos permite entendimentos que acalmam o coração em momentos de vicissitudes. O planeta Terra está passando por uma fase crítica, é o momento decisivo para muitos espíritos. Haverá dias melhores, sim. Para isso, precisamos controlar nossas crises, escândalos e violências internas. A marcha é de progresso, a lei é de evolução, a fatalidade é a perfeição.


EspiritualMente - Você tem algum projeto ou objetivo a ser alcançado no trabalho espírita?

Isabelle - Quando era criança, eu observava os jovens da mocidade trabalhando e desejava fazer parte daquele grupo. Aos 14 anos me tornei educadora espírita. Queria passar por todas as turminhas para ter uma experiência completa do trabalho. Aos 17 anos me tornei coordenadora do setor de Relações Públicas, daí em diante, assumi vários outros papéis nas coordenações de Infância, Juventude, Apoio, até chegar à direção da Mocidade. A essa altura minhas aspirações já expandiam os limites do grupo de jovens e eu arriscava algumas palestras aos sábados para as famílias da comunidade a qual assistíamos. Com o tempo, passei também a dar palestras em outros dias da semana. Fiz curso de passe e de mediunidade para colaborar em outras esferas. Participei por muitos anos das reuniões mediúnica e desobsessiva da casa até engravidar e ter filhos. A cada palestra me interessava mais por estudar o Espiritismo, foi quando começaram a surgir convites para falar em outras casas espíritas. Hoje aguardo confiante a oportunidade de participar do trabalho de atendimento fraterno.


EspiritualMente - Que mensagem você deixa para os visitantes, seguidores e colaboradores do nosso blog?

Isabelle - É importante você refletir e questionar tudo que ouve e lê. Mas para que esses questionamentos e reflexões tenham fundamento, é também importante o estudo, o aprimoramento moral e a prática da caridade. Dá pra ser espirita sem frequentar um centro? Sim, mas o sentimento de pertencimento a um grupo com ideais afins, a possibilidade de debater os preceitos da Doutrina, o compromisso com o trabalho voluntário, a oportunidade de fazer o bem e a troca fluídica com a Espiritualidade Superior, são incomparáveis!


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Agradecemos a gentileza de Isabelle Figueirôa por conceder tão bela e reflexiva entrevista!



6 comentários:

  1. É um grande prazer ver pessoas que se dedicaram desde a adolescência às atividades espíritas em centros, juventudes ou mocidades e que chegam posteriormente até a atividade de palestrantes ou participação nas casas ou grupos de estudo/atendimento fraterno.
    Siga em frente, cara jovem, há ainda muito o que fazer e certamente um par de mãos a mais fará muita diferença para aqueles que por elas forem socorridos...

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  2. Também sou espírita, desde a infância, como Isabelle. Tenho 92 anos e ainda atuo na evangelização da criança, que julgo ser o setor mais importante do trabalho espírita.

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  3. Se o Lar Espírita Chico Xavier está com falta de trabalhadores é por falta de acolhimento por parte da direção e imposição de diretrizes q nem todos compartilham. Os q ousam a discordar são convidados a se retirar da casa. Isso é o verdadeiro ensinamento de Jesus?

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    1. Caro anônimo, lamento muito você ter essa impressão do Lar Espírita Chico Xavier. Precisamos compreender que as instituições espíritas são feitas por espíritas e espíritas são imperfeitos como qualquer outra pessoa nesse mundo. Mas o Espiritismo é muito maior que pessoas. Desejo-lhe muita luz e que sigamos nos esforçando por praticar os ensinamentos de Jesus!

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  4. Muito boa entrevista. Que bom q começou cedo no espiritismo e continua.

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  5. Espero que permaneça estudando cada vez mais essa doutrina iluminadora, é bom termos pessoas nascidas em berço espírita que já encontram-se no trabalho iluminativo. Parabéns.

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Agradecemos pelo comentário!