terça-feira, 28 de agosto de 2018

Convivendo com as diferenças

Texto de Almir Paes no Blog EspiritualMente

Precisamos nos apaixonar pela espécie humana, como o Mestre da vida o fez.

Devemos ficar fascinados com as reações de um mendigo, as alucinações de um psicótico, com as peraltices de uma criança, com as reflexões de um idoso.

A beleza, segundo Jesus, reside em amar as diferenças, em não exigir que os outros sejam iguais a nós para que possamos amá-los.

Na teoria, essa assertiva é extremamente bela. Na prática, precisamos aprender mais sobre o conteúdo e a execução dela.

Eu, apesar das minhas enormes imperfeições, estou em um estágio no qual não gosto mais de festas materiais, onde, frequentemente, predomina a maledicência e a fofoca. Geralmente, as pessoas vão a esse tipo de evento para observar a vestimenta de cada um, as bebidas e os alimentos servidos no local. Os encontros e reencontros entre as pessoas para uma boa conversa, estreitar relacionamentos, estão em terceiro plano ou não existem mais.

Observo com muita tristeza, a falta de gentileza entre as pessoas. O carro do ano, o celular de marca, o tablet, são bem mais valiosos do que as lágrimas, os sorrisos, as alegrias, as tristezas, enfim, a história de vida de outro ser humano.

Preciso me acostumar com tudo isso e aprender a respeitar as diferenças.

Gosto mesmo é da boa conversa, estudar, ler, pesquisar, ajudar o próximo. Alegro-me quando consigo tirar um sorriso de uma pessoa triste. Gosto também de estar em família, curtindo a todos, sendo útil a quem precisa.

Gosto de fazer e manter amizades, sem interesse material advindo delas. Será que eu ganho alguma coisa sendo amigo dessa pessoa? Detesto esse tipo de pensamento.

Gosto de apreciar a natureza, ouvir o canto dos pássaros, sentir o perfume das flores. Gosto de ter a percepção das diferenças dos matizes de cada folha. Podem observar que cada uma tem uma tonalidade de verde diferente!

Gosto de frequentar a Casa Espírita, divulgar a palavra de Jesus, fazer visitas a abrigo de idosos.

Gosto de doar sangue, ouvir os irmãos ávidos por encontrar um ouvido amigo para desabafar as suas mágoas sem que ele fique constantemente olhando para o relógio.

Gosto de aprender. Aprendo com os irmãos letrados e também com os iletrados. Diante de tudo isso, estou fazendo o possível para não ficar intolerante, chato mesmo.

O mundo está diferente das minhas percepções de vida. E eu não estou conseguindo me adequar, me adaptar a esses usos, costumes, modos, transitórios bem sei.

Preciso aprender a conviver e viver no mundo sem ser mundano. Acho que sou má companhia para todas essas pessoas e seus relacionamentos.

Apesar das minhas imperfeições - que são muitas, bem sei - começo a valorizar mais a vida, os amigos, a natureza, a vida futura, o livre-arbítrio.

Por tudo isso, sou um cidadão sem status, pois me insiro fora desse contexto consumista e maledicente.

Como eu disse no início do texto, preciso aprender a compreender e conviver com as diferenças sem mudar minha percepção de mundo. Preciso aprender e compreender que o defeito não é do outro, pois cada um vive na sua faixa evolutiva. O defeito está em mim, que ainda não aprendi, pragmaticamente, o que é alteridade.


Almir Paes no Blog EspiritualMente
Almir Paes
O Cronista da Alma




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