sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Sentimento de Poeta

Crônica de Almir Paes no Blog EspiritualMente
Recife/PE
Em uma certa terça-feira, mais precisamente no dia 09 de maio de 2017, às 18:30h, quando me dirigia ao Educandário Espírita Joana D'Arc, observei as pessoas que passavam pelo meu trajeto e constatei que elas vinham sempre apressadas, com olhares e sentimentos distantes, longe de si mesmas.

Vi pessoas andando com cães, outras transitando de bicicleta, a pé como eu, de automóveis e motocicletas.

Observei também, no semblante de cada uma, o desenrolar da vida delas no seu cotidiano, fora das suas casas, sem as suas máscaras. Estava andando moderadamente, sem pressa, com tempo para tentar penetrar ou procurar entender os valores coletivos e individuais dessas pessoas.

Teve um momento em que eu tomei mais cuidado ao caminhar, pois estava muito distraído e também vestido com camisa de mangas compridas, calça jeans e sapato de couro... talvez eu exteriorizasse o perfil dos assaltantes de rua, que deslumbram e observam os transeuntes para uma possível investida criminosa...

Mas pensei bem: o que um assaltante vai querer levar de mim? Carro eu não tenho, nem popular e nem de luxo. Dinheiro eu também não tenho. Cartão de crédito ou débito muito menos. Eu tenho uma bicicleta usada, um celular popular, alguma sensibilidade, algum conhecimento e o sentimento de poeta. Isso interessa a pouca gente.

Em um mundo onde o "ter" prepondera sobre o "ser", quem não tem carro importado, celular de última geração, roupa de grife, cartão de crédito ou débito tipo ouro, se torna invisível, desprezível, descartável e insignificante.

Quem tem o hábito da leitura, o hábito de pensar, o hábito de fazer o bem, é considerado bobo, ingênuo, inocente. Quem não se dobra a esse Capitalismo degradante, a esse egocentrismo exacerbado, aos modismos, ao consumo de trambolhos e tralhas eletrônicas que se tornam obsoletas a cada 4 meses, não está inserido no processo social contemporâneo.

Eu sou crítico dessa sociedade egocêntrica e individualista. Essa sociedade que usa as pessoas e ama os objetos, mas não é por isso que vou me isolar desse sistema, mesmo discordando frontalmente dele. Eu só não posso e não devo é me adaptar a ele.

Eu tento modificá-lo com as minhas atitudes, minhas ideias, ações e exemplos. Não sou nenhum santo, tenho meus defeitos, cometo meus equívocos, mas ainda acredito no amor, na solidariedade, na atenção, na amizade.

Como dizia o saudoso poeta Belchior e eu corroboro com a minha forma de interpretar: não sou totalmente feliz, mas não sou mudo, hoje eu escrevo muito mais. Eu faço da minha caneta, do teclado do computador, do celular, minhas armas para direcionar, primeiro a mim, depois as outras pessoas, para uma realidade mais humana, mais cordial, mais fraterna.

Sou consciente que serei rejeitado, mal interpretado, mal entendido, pela maioria, por este meu sentimento de poeta, pelas minhas críticas ao sistema social vigente, mas continuarei a fazê-las e, na medida do possível, exemplificarei como seria o caminho inverso, o caminho do bem.


Almir Paes no Blog EspiritualMente
Almir Paes
O Cronista da Alma



Um comentário:

  1. Como sempre amigo Almir vc traduz os nossos sentimentos através de suas palavras e alma de poeta. Tambem ainda acredito "...no amor, na solidariedade, na atenção, na amizade." Parabéns!

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