segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Entrevista com Ivan Franzolin

Ivan Franzolin no Blog EspiritualMente
Ivan Franzolin

Formado em Administração de Empresas com especialização em Marketing de Serviços pela Fundação Getúlio Vargas e pós-graduado em Comunicação Social pela Cásper Líbero.

Foi gerente de Organização e Métodos e de Produtos no segmento financeiro e, agora aposentado, é sócio de uma corretora de seguros.

Foi colaborador e assessor de planejamento da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE).


Ivan Franzolin no Blog EspiritualMente
Palestra de Ivan Franzolin na USE

Ivan mantém um programa na internet na TV Web Luz:


Ivan Franzolin no Blog EspiritualMente
Ivan Franzolin gravando o Programa na TV Web Luz

Deseja conhecer mais o trabalho de Ivan Franzolin? Visite o seu blog: 


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EspiritualMente - Como você conheceu o Espiritismo? Qual a importância desta Doutrina em sua vida?

Ivan - Conheci através da minha mãe que me transmitiu as primeiras ideias e conceitos já na infância. Na adolescência, li muitos livros mais espiritualistas do que espíritas. Na fase adulta, comecei a estudar as obras básicas, depois fiz os cursos. Tive tias que eram médiuns e convivi com a mediunidade desde cedo. O conhecimento espírita me fez muito bem, me deu conforto, esperança e mantive a chama do otimismo. A Doutrina tem me ajudado a ser uma pessoa melhor.


EspiritualMente - Desde 2015 que você vem realizando a Pesquisa Nacional para Espíritas. Em 2018, já saiu a 4ª edição da mesma. Como surgiu a ideia de elaborar esse trabalho? Há algum objetivo pessoal que queira identificar na pesquisa?

Ivan - Essa era uma ideia antiga que esbarrava na dificuldade de aplicação da pesquisa. As primeiras eram feitas em papel, entregues aos frequentadores das casas espíritas para serem preenchidas e devolvidas. A tabulação era muito trabalhosa. Com a internet e as redes sociais, esse trabalho foi muito facilitado. Minha intenção sempre foi ajudar as instituições com indicadores da forma de pensar e de se comportar dos espíritas, a serem trabalhados por elas no sentido de melhorar os esclarecimentos doutrinários e até ajustar a forma de se fazer as atividades quando necessário.


EspiritualMente - Em todas as edições, como foi o envolvimento do movimento espírita perante a pesquisa? Alguma manifestação por parte da Federação Espírita Brasileira (FEB)?

Ivan - Tive apenas o uso efetivo da pesquisa como instrumento de gestão pela Federação Espírita do Estado do Espírito Santo (FEEES) em 2017 e 2018. Tive ainda o apoio dos dirigentes da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE) na divulgação da pesquisa. Sempre procurei enviar as pesquisas para as federativas, mas usava os e-mails divulgados em seus sites e não tenho certeza que chegaram às pessoas certas. Neste ano (2018), enviei formalmente para a FEB e para uma relação de e-mails das federativas que tive acesso. Importante destacar que tive grande apoio do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita de Santos/SP (CPDoc) onde apresentei meu trabalho e recebi muitas críticas construtivas que me ajudaram a melhorar as novas edições.


EspiritualMente - Da 1ª até a 4ª edição da pesquisa, você percebe algum aspecto ou tendência em crescimento no movimento espírita? Poderia citar alguns dados positivos e negativos?

Ivan - Os trabalhadores espíritas são muito dedicados, executam mais de duas atividades e comparecem às suas casas mais de 8 vezes por mês. Cerca de 1/4 estão sobrecarregados. Quase a totalidade gosta muito do Centro que trabalham e fazem poucas críticas. Os frequentadores e voluntários anseiam por temas novos nas palestras. Reconhecem que a maioria dos Centros destaca mais o aspecto religioso da Doutrina do que o filosófico e o científico. Não há um uso padrão da terminologia espírita, cada casa em cada região usa o seu. Os espíritas estão envelhecendo e os jovens se afastando, o que preocupa o futuro do Espiritismo no Brasil. Existem muitas crenças que conflitam com a lógica e até com o conhecimento espírita que deveriam ser mais bem esclarecidas pelas casas espíritas. Os espíritas parecem terem sido formados em escolas que não ensinaram a analisar, questionar, pesquisar e argumentar. Escutam algo bonito, de autoria de alguém ilustre e aceitam sem nenhuma análise doutrinária. Esses são apenas alguns exemplos. As pesquisas tem apresentado muitas informações relevantes.


EspiritualMente - Como os dirigentes espíritas podem utilizar os resultados dessas pesquisas como parte de um planejamento anual? Você conhece algum Centro ou Instituição espírita que já esteja aplicando algo do seu trabalho?

Ivan - Não tive conhecimento, apenas a FEEES, mas tenho esperança que outras instituições estejam utilizando. O que proponho é a formação de pequeno grupo no Centro Espírita para analisar os resultados e identificar quais questões podem também estar revelando a realidade da sua casa. Por exemplo, baixa frequência de jovens? Trabalhadores sobrecarregados? Trabalhadores são ouvidos em suas sugestões? As informações sobre a Doutrina poderiam ser mais bem comunicadas?


EspiritualMente - Você já recebeu alguma crítica em relação às pesquisas? Alguns dados já foram contestados?

Ivan - Não recebi críticas, mas alguns elogios que me animaram a prosseguir. Logo na primeira edição, recebi a explicação de que a minha pesquisa não pode ser tecnicamente considerada probabilística, pois a distribuição pela internet não garante que todos os espíritas tenham a mesma chance de receber e preencher. Isso é feito pelas empresas de pesquisa com custo fora das minhas condições. Todavia, é um tipo de pesquisa útil e tem apresentado resultados semelhantes de pesquisas profissionais, como as do Censo do IBGE.


EspiritualMente - Na sua opinião, de posse dos resultados das pesquisas, o movimento espírita está cumprindo os seus objetivos na sociedade brasileira ou falta ainda alguma coisa? Como você vê o futuro do Espiritismo aqui no Brasil?

Ivan - As ideias espíritas proliferam pela mídia não-espírita, mas não estão encadeadas, nem fundamentadas e estão misturadas com crenças conflitantes com nosso conhecimento. Isso não é resultado apenas da grande mídia, mas também de uma série de livros ditos espíritas igualmente conflitantes. Os dirigentes e voluntários trabalham muito com as melhores intenções, mas acabam repetindo o que sempre foi feito, sem pensar em que situação isso vai levar e deixando de questionar o que desejamos para o futuro e o que estamos fazendo para alcançar. Que tipo de espíritas estamos formando? Creio que falta gestão! Falta planejamento estratégico! Sair do círculo vicioso das mesmas atividades repetidas por décadas. Buscar soluções novas e criativas, sem sair do compromisso com a coerência doutrinária.


EspiritualMente - Você também realiza outros tipos de pesquisa? Poderia falar um pouco sobre elas?

Ivan - Sim, há 30 anos eu pesquiso médiuns de efeitos físicos e os fenômenos que essa mediunidade produz. Participei de inúmeras reuniões de materialização de espíritos, entrevistei médiuns, verifiquei as cabines e as medidas de controle. Já cataloguei mais de 100 médiuns brasileiros. Estou sempre buscando indicações de casas que já tiveram esse trabalho para me aproximar. Faço também uma pesquisa histórica sobre os Evangelhos e Jesus. Esse é um estudo que todos os comunicadores espíritas deveriam fazer. Saber que Jesus não morreu aos 33 anos, provavelmente com 36 ou 37 anos, que os Evangelhos foram repassados primeiro oralmente para depois serem escritos, copiados por escribas que cometeram vários erros, acréscimos e omissões, depois foram traduzidos do aramaico, para o hebraico, copta e grego. Isso significa que Jesus não deve ter falado tudo que é atribuído a Ele e exatamente com as palavras e significados que conhecemos. É lógico que isso não tira o mérito dos seus ensinamentos, apenas pede mais cuidado de nossa parte na interpretação.


EspiritualMente - Que mensagem ou recomendação você deixa para os nossos colaboradores, seguidores e visitantes?

Ivan - Certamente você é espírita porque gostou do que a Doutrina explica, de sua filosofia, da sua preocupação com a ética e a moral. Então você precisa "vestir a camisa", assumir seu comprometimento com o futuro da Doutrina. Lembre-se que ela quase morreu na França, logo após a morte de Allan Kardec. Todos devem se sentir responsabilizados, pois "o Espiritismo será o que dele fizerem os homens" (Léon Denis).



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O EspiritualMente agradece a colaboração e a gentileza de Ivan Franzolin por ter concedido esta instrutiva entrevista!



9 comentários:

  1. Há um aspecto relevante na entrevista do amigo Franzolin e que tem nos preocupado: a ausência dos Espíritas mais jovens em nossas reuniões, sobretudo nas de estudos e esclarecimentos doutrinais. Sou fundador de uma casa espírita que atua já há quatro décadas com reuniões diversas e inclusive de estudos e não vemos o interesse dos mais jovens. E note-se que o Espiritismo é profundissimo e, mais ainda, ele parte do mais importante livro terreno que é o Evangelho e dele mesmo segue aprofundando suas lições aos níveis éticos, filosóficos, científicos e demais campos da atividade humana. Logo, sendo o Espiritismo o mais importante corpo doutrinário da face terrena causa-nos uma certa estranheza a não participação ou pouca participação dos mais jovens. Pelo menos é o que também noto em nossa humilde casa espírita.
    fernandorosembergppatrocínio.blogspot.com.br

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    1. Realmente Fernando. Também me preocupa esse dado, pois ele demonstra duas coisas: não estamos conseguindo atrair jovens e poderemos diminuir em número de espíritas nos próximos anos. As casas deveriam se reunir para levantar as ações necessárias para trazer os jovens. Mudar a forma e conteúdo da comunicação e oferecer ocupações de interesse dos jovens são ações necessárias.

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  2. Há um aspecto relevante na entrevista do amigo Franzolin e que tem nos preocupado: a ausência dos Espíritas mais jovens em nossas reuniões, sobretudo nas de estudos e esclarecimentos doutrinais. Sou fundador de uma casa espírita que atua já há quatro décadas com reuniões diversas e inclusive de estudos e não vemos o interesse dos mais jovens. E note-se que o Espiritismo é profundissimo e, mais ainda, ele parte do mais importante livro terreno que é o Evangelho e dele mesmo segue aprofundando suas lições aos níveis éticos, filosóficos, científicos e demais campos da atividade humana. Logo, sendo o Espiritismo o mais importante corpo doutrinário da face terrena causa-nos uma certa estranheza a não participação ou pouca participação dos mais jovens. Pelo menos é o que também noto em nossa humilde casa espírita.
    fernandorosembergppatrocínio.blogspot.com.br

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  3. Estou muito agradecida por poder ter conhecimento do trabalho de Ivan em relação ao espiritismo, gostaria muito de que um dia ele viesse nos falar a esse respeito na casa em que participo. Centro Espírita Fraternidade de Jundiaí. Minha gratidão também ao EspiritualMente por esse trabalho tão digno de levar aos leitores essa dadivd. Conhecer o espiritismo.

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    1. Olá Katia, vamos nos falar por e-mail franzolim@gmail.com.br Abraço.

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  4. Muito bom seu trabalho.dedicou sua vida nos estudos espirituais, com muito susseco

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  5. Muito interessante o trabalho desenvolvido. Pouco se tem conhecimento no âmbito das pesquisas realizadas com espíritas e suas instituições. Quanto a participação das novas gerações realmente se vê muito pouco. Fui no período de mocidade presidente de Juventude Espírita, mas hoje se vê muito pouco realmente. Também fui membro do Movimento Espírita Universitário de Florianópolis, que não mais existe há muitos anos e um dos fundadores do Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis, hoje um pouco defasado em seus quadros de pessoal mais jovem.A luta titânica de meu irmão presidente,palestrante e escritor, o médico Ricardo Di Bernardi tem sido desgastante, mas creio que parte se deve a "ocupação" da juventude atual com a tecnologia dos computadores e celulares, além do efeito nocivo da falta de leitura.Mas entre os poucos que frequentam há grandes esperanças de renovação e dinamização.

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  6. Penso ser suspeita para comentar sobre Ivan René Franzolim. Amigos de décadas. Sempre dedicado, interessado no que faz, agindo com muito profissionalismo, responsabilidade.
    É muito bom contar com pessoas que possuem essas características, aplicando a convicção espírita e, principalmente, focando a necessidade de se repensar sempre que defrontarmos também com novo pensar em diversas áreas humanas, científicas...
    Também questiono – Onde, nossos jovens? – Mas, me parece evidente que a resposta esteja mesmo na programação de Casas Espíritas que delimitam caminhos para novos conhecimentos com novos olhares.

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  7. Parabéns Ivan! Gostei muito da sua abordagem sobre os diversós assuntos relacionados à nossa querida Doutrina.Com relação aos efeitos físicos eu também acho que esse tipo de trabalho deveria ser retomado atualmente, para uma compreensão melhor sobre as reais causas da sua ocorrenaiara, independente de qualquer consideração prévia sobre esse polêmico assunto. Entretanto, na minha opinião, essa não tem sido uma tarefa fácil! !! Veja no site da USP www.USP. com.br uma interessante publicação com referências aos fenômenos de quase morte!Uma abordagem muito interessante! !!!Um grande abraço e continue firme nas pesquisas. William Crookes, deixou-nos uma importante afirmação com relação aos seus experimentos:"Eu nunca disse que era possível, eu disse que era verdade !!!!

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Agradecemos pelo comentário!